Com aproximadamente 40 anos de trabalho na área de psicologia, auxiliando pais, professores, casais e famílias, decidi criar este espaço como forma de contribuição com orientações nesta área.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Reassegurando o Vínculo com seu Filho
Achei super interessante uma matéria que li há algum tempo referindo-se a um dos homens mais ricos do mundo, em que a repórter perguntava o que para ele significava felicidade.
Ele respondeu que de tudo na vida o que ele não abria mão e o que lhe trazia maior felicidade era, todos os dias levar e trazer os filhos na escola, de bicicleta.
Era o momento de estar realmente com os filhos, e no caminho, ir conversando com eles, mostrando-lhes as coisas da natureza.
Há momentos na vida em que a gente nunca esquece, estes possivelmente, serão momentos que jamais estas crianças esquecerão.
A felicidade não está nas coisas materiais, mas em pequenos momentos de afeto e de interação.
Nos últimos sessenta anos a forma de viver das pessoas mudou radicalmente. E esta forma de viver atingiu as famílias de forma brutal.
Há uma exigência social sem fim em que é preciso ter que trabalhar muito para poder dar conta de tudo.
A sociedade de consumo, fez com que as famílias saíssem de suas pequenas e pacatas comunidades e migrassem para os grandes centros urbanos.
As famílias passaram a residir em espaços menores e muitas vezes longe da família de origem, que também ajudava a cuidar das crianças, e além disso, tinham o referencial de outras famílias de como cuidar dos filhos.
Este modo de fazer as coisas eram passadas de geração a geração,tranquilamente, sem que houvesse questionamento.
Nos consultórios de psicologia vemos famílias insatisfeitas, solitárias e desorientadas com relação à educação de seus filhos.
Quando questionadas do porquê viver desta maneira,e o que elas procuram em viver assim, muitas delas não sabem responder.
Hoje nos deparamos com pais extremamente preocupados em comprar tudo que os filhos solicitam, querem dar aos filhos a melhor escola, a melhor roupa, o melhor brinquedo, coisas que eles não tiveram.
Passaram então a viver uma vida de muita agitação,onde a pressa é a peça fundamental do contexto, estamos sempre apressados e atrasados para os compromissos, sendo que muitas vezes não conseguimos dar conta de tudo.Pensamos que nem sempre a rapidez é a melhor maneira de se fazer as coisas.
Além da pressa, as pessoas vivem cercadas de muitos estímulos visuais, sonoros, enfrentando transito complicado, alimentando-se mal e apressadamente, dormindo pouco, com uma qualidade de vida péssima.
Esta forma de viver, leva as pessoas a apresentar sintomas de (hurry disease) que é uma espécie de superestresse, além da depressão, síndrome do pânico, entre outras doenças emocionais e físicas.
Outro fator dos grandes centros é a violência, que tirou das ruas, nossas crianças, então o que restou realmente a elas, foram as atividades desenvolvidas em confinamento, e o pior, sem o referencial do pai e da mãe que precisam passar o dia todo fora do lar, trabalhando.
Quando os pais chegam em casa após um dia exaustivo de trabalho, estão tão cansados e esgotados, sem condição de qualquer conversa ou atividade com o filho.
Então cada um come um fast food e vai para seu quarto ver TV ou internet.
Nestes tempos modernos, a mãe passou a exercer um pouco do papel do pai e o pai a exercer um pouco o papel da mãe .
De que forma: a mulher que era dona de casa,e só cuidava dos filhos e da casa, agora acumula funções, vai ao mercado de trabalho para ajudar o marido nos compromissos financeiros,e quando chega em casa tem um outro turno, casa e filhos.
O pai, agora também acumula funções, trabalha fora e também auxilia a mãe nos cuidados com os filhos ora levando e trazendo os filhos da escola ora ajudando a cozinhar e arrumar a casa,fazer compras, etc.
Assim o tempo de interação que se tem realmente com o filho é pequeno ou quase nulo, muitas vezes.
Não estamos dizendo que os pais devam passar horas com o filho, mas é preciso promover pequenos momentos de interação com ele.
A interação real com o filho, fortalece o vinculo afetivo e deve ser realizada constantemente, mesmo que por curto espaço de tempo.
Muitos estudiosos ressaltam a importância das figuras parentais na formação do vinculo da criança nos três primeiros anos de vida para que ela tenha um desenvolvimento emocional saudável e possa vincular-se posteriormente de forma saudável a outras pessoas.
Repensando tudo isto, na importância que ambos têm na educação dos filhos, muitos pais já estão trocando seus horários fixos de trabalho, por horários mais flexíveis .
Temos também notícias que muitos executivos de sucesso tem trocado seus altos salários, por uma qualidade de vida melhor,uma vida mais simples, mais em contato com a natureza e maior contato com seus filhos.
Na Europa surge o slow movement, que é a desaceleração da vida moderna, abrindo mais espaço para o lazer e para a família.
É a “filosofia do devagar”,isto é, colocando a qualidade antes da quantidade, pois nem sempre com a rapidez fazemos coisas melhores.
A educação de uma criança é feita no dia a dia, devagar, sem pressa, como doses homeopáticas.
Ninguém tem uma receita pronta de como educar um filho, todos nós tentamos fazer o melhor sempre.
Seu filho espera que você como pai ou como mãe mostre-lhe o caminho a seguir, diga a ele o que é certo ou errado, passe a ele os valores que recebeu de sua família de origem, nunca prometa o que não poderá cumprir, seja claro quando pedir algo para ele, nunca passe duplas mensagens, fale sempre a verdade, pois quanto mais próximo da verdade estiver, mais saúde emocional terá.
São os adultos que convivem com ele que têm esta função.
Se você vive apressado, na correria do dia a dia, tem tido tempo para administrar tudo isto?
Quem vai dar a diretriz para ele caso você não possa, a televisão ou a internet?
Se os pais estão estressados possivelmente os filhos também estarão.
É muito importante estar presente àquilo que faz: se estou comendo ou bebendo, preciso saborear, sentir o cheiro, ver o colorido, sentir a temperatura, etc. Se estou passeando, preciso esquecer de outras coisas e estar presente no passeio e se estou lendo um livro, da mesma forma, se estou trabalhando preciso também estar presente no meu trabalho, se estou com meu filho, estou realmente com ele, de corpo e alma.
Estando presente, me vinculo com o que faço ou com quem me relaciono.
Que tal ir repensando a idéia do Slow Movement, na idéia de viver mais devagar, viver de uma forma mais simples, estando mais presente nas ações, e valorizando mais “o ser em troca do ter”.
Sabemos que é muito difícil retroceder, mas é preciso ir pelo menos pensando na questão.
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