Com aproximadamente 40 anos de trabalho na área de psicologia, auxiliando pais, professores, casais e famílias, decidi criar este espaço como forma de contribuição com orientações nesta área.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
A importância do brincar na evolução emocional da criança
Quando solicitamos que um adulto desenhe uma casa, uma árvore ou um barquinho, descobrimos que apesar da evolução emocional, social e profissional, salvo exceções, esta atividade ficou estagnada mais ou menos por volta dos 7 ou 8 anos de idade.
Porque esta atividade não evoluiu conforme outras áreas do saber?
Porque as atividades livres, tais como: desenhar, subir em árvores, andar de bicicleta, mexer na terra, pular corda e tudo o que se referia ao lúdico, e que promoviam tanta criatividade e desenvolvimento, foram consideradas como perda de tempo e precisaram ser substituídas por responsabilidades.
Ouvindo muitos pais, percebemos que eles estão extremamente sobrecarregados com as exigências financeiras da vida moderna, e isto acaba refletindo em preocupações em relação à vida profissional futura dos filhos.
Como resultado de tais preocupações as crianças começam a ser alfabetizadas muito mais cedo, sem que o cérebro esteja maduro para receber tais informações e sobrecarregadas com tantas atividades.
Antes do início do ensino formal, é preciso que o adulto que convive com a criança deva ajudá-la a dar asas a sua imaginação, à sua criatividade, ao seu mundo de fantasias, através do brincar.
Estas atividades,contribuirão para o amadurecimento cerebral e emocional da criança.
Recebemos em nossa clínica muitas crianças, extremamente, deprimidas e estressadas logo nos primeiros anos de vida, por necessitar dar conta de tantas tarefas curriculares e extra-curriculares.
O ato de brincar, ou o tempo livre, ficou estigmatizado como perda de tempo, como dissemos, mas os adultos de hoje, não se esquecem da felicidade da fase tão maravilhosa que fora a sua infância, época em que não haviam compromissos nem responsabilidades e nem a competitividade de hoje. A única preocupação era com a escola. Podia-se brincar na rua, empinando pipa, pulando corda, jogando amarelinha, rodando pião, fazendo seus próprios brinquedos, e quanta coisa boa estas brincadeiras ensinava.
Nós como psicólogos, não somos contrários a que os pais cobrem responsabilidades de seus filhos, pelo contrário, ela é parte integrante da educação, contudo, é preciso que elas tenham também tempo livre para fazer coisas que desejam ou coisas descompromissadas.
Se existe tempo para estudar, deve haver também o tempo de não fazer nada , ou tempo livre. Isto deve ser contrabalançado. A criança não pode permanecer o tempo todo estudando, e nem tampouco ficar o tempo todo sem fazer nada, ou o tempo todo na internet ou na TV.
Falando em internet, muitas crianças e adolescentes, passam a noite toda na internet e no dia seguinte acabam dormindo na sala de aula. Seu cérebro está tão cansado, que não conseguem manter a atenção na aula.
Dormir o tempo suficiente, comer de forma saudável, brincar, relacionar-se com outras crianças, são fatores importantíssimos para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança .
Quando existe algum problema de ordem alimentar, ou com o sono, é mais fácil de se identificar se algo não vai bem com a saúde física da criança.
A coisa se complica quando a criança se isola, não quer ter amigos ou brincar,ou ficam muito caladas, fecham - se em seus quartos, apresentam-se irritadas, arredias, ou queixam-se com freqüência de dores abdominais ou dores de cabeça. Estes comportamentos poderão estar camuflando algum problema de ordem emocional.
Em que áreas do desenvolvimento as brincadeiras poderão ajudar seu filho:
- Desenvolvimento da consciência corporal
- Desenvolvimento das relações afetivas
-Respeitar e aceitar outros numa dinâmica social.
-Desenvolvimento da consciência social e autoconsciência.
Contribui para que as crianças entendam que quando se joga ou quando se compete, pode-se também perder e não apenas ganhar, levando-os a entender que vida é assim.
-Desenvolvimento da capacidade de aceitar e respeitar os outros numa dinâmica social.
- Aprender a aceitar e a respeitar normas do jogo e posteriormente aceitar e respeitar normas sociais.
-Expressão de sentimentos e entendimento das emoções, como raiva, alegria, frustração,quando se ganha ou quando se perde num jogo.
-A brincadeira promove O contato físico e emocional, fatores de extrema importância para a percepção de si e do outro.
-Contribuição essencial para o desenvolvimento do processo evolutivo neuropsicológico saudável de toda criança.
-Fortalecimento e do vinculo afetivo com os amigos.
Dicas de brincadeiras para os pais realizarem com os filhos:
-Bebês: brincar de faz de conta, rolar no chão, engatinhar, colocar e tirar objetos uns de dentro do outro, abaixar , levantar, abrir e fechar caixas, puxar e empurrar, esconder e achar.
Crianças maiores:
Ler um livro de história,jogos de memória , de cartas,quebra- cabeça,dominó, dama, assistir a um filme e discutir com o filho o tema do filme; preparar um lanche, colocar a mesa para o lanche, estourar pipoca,desenhar, consertar um brinquedo, etc.
Se mora em apartamento, levar o filho ao play-ground,ou em alguma praça próxima para pular corda,jogar bola, levar o cãozinho para dar uma volta,convidar outros amiguinhos para brincar,etc. Durante os jogos, muitos conceitos importantes podem ser passados aos filhos tais como, respeitar as normas do jogo , que são conceitos que serão também usados socialmente. Por exemplo : saber conviver com a perda,com a frustração, não trapacear, não abandonar o jogo porque perdeu, etc.
É preciso apenas ter uma pequena dose de paciência e um pouquinho de tempo, mas podemos garantir que os resultados serão compensadores.
Na vida adulta, um filho com certeza esquecerá da bronca que os pais lhe deram um dia , mas jamais esquecerão dos momentos felizes das brincadeiras que o papai e a mamãe realizaram com ele.
Por acaso você ainda guarda uma destas lembranças?
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