As pessoas mais velhas ainda
se lembram com muitos detalhes quando a avó aos domingos dizia que precisava
matar um frango para o almoço.
Eu estava com 5 anos e assistia com muito
interesse, cada etapa da operação.
Primeiro a excitação vendo a corrida da vovó
atrás do frango mais gordo.
Depois a tristeza quando ela passava a faca no
pescoço do bicho vendo o sangue escorrer pela terra, a seguir a retirada das
penas na água fervente e a preocupação se o frango ainda sentia dor, depois
vendo a transformação do animalzinho sem penas que mais parecia outro bicho com
aquela pele enrugada.
Eu pegava uma cadeira, subia
para observar mais de perto a vovó que trabalhava sob a bancada da pia. Era interessante ver a
pele, os ossos, cada parte do corpo, as asas, coxa, e que surpresa quando a
vovó abria-lhe o peito e apareciam todas aquelas vísceras que ela aos poucos ia
nominando, fígado, pulmões, intestinos, e um montão de ovinhos!
Eu fiquei maravilhada, com aquela verdadeira
aula de ciências ao vivo com direito a cores, odores e depois os sabores de cada parte que ela preparou com
muito carinho.
É certo que hoje em dia, não
temos mais tempo para isso, e também não queremos abrir mão das facilidades,
mas a pressa das pessoas se torna evidente, quando ao irem ao supermercado
comprar nuggets; aquela caixinha que tem dentro como se fossem pedrinhas de
gelo, que podemos, com licença dos
fabricantes chamar de frango virtual?
Hoje ficamos nos
perguntando: será que as crianças, ao saborear nuggets, sabem que aqueles
pedacinhos de alguma coisa empanada, é parte daquele animal que tinha vida, que
tinha duas patas, um bico e o corpo
coberto de penas, que se chama frango e que
é uma ave comestível?
Mas de tudo isso, posso
garantir que o que realmente aprendi com minha avó, não foi apenas uma aula de
ciências, mas sim aprendi a transmitir com serenidade aos meus netos o que pude aprender com ela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário