sábado, 16 de novembro de 2013

Minha primeira aula de ciências

As pessoas mais velhas ainda se lembram com muitos detalhes quando a avó aos domingos dizia que precisava matar um frango para o almoço.
 Eu estava com 5 anos e assistia com muito interesse, cada etapa da operação.
 Primeiro a excitação vendo a corrida da vovó atrás do frango mais gordo.
 Depois a tristeza quando ela passava a faca no pescoço do bicho vendo o sangue escorrer pela terra, a seguir a retirada das penas na água fervente e a preocupação se o frango ainda sentia dor, depois vendo a transformação do animalzinho sem penas que mais parecia outro bicho com aquela pele enrugada.
Eu pegava uma cadeira, subia para observar mais de perto a vovó que trabalhava  sob a bancada da pia. Era interessante ver a pele, os ossos, cada parte do corpo, as asas, coxa, e que surpresa quando a vovó abria-lhe o peito e apareciam todas aquelas vísceras que ela aos poucos ia nominando, fígado, pulmões, intestinos, e um montão de ovinhos!
 Eu fiquei maravilhada, com aquela verdadeira aula de ciências ao vivo com direito a cores, odores e depois  os sabores de cada parte que ela preparou com muito carinho.
É certo que hoje em dia, não temos mais tempo para isso, e também não queremos abrir mão das facilidades, mas a pressa das pessoas se torna evidente, quando ao irem ao supermercado comprar nuggets; aquela caixinha que tem dentro como se fossem pedrinhas de gelo, que  podemos, com licença dos fabricantes  chamar de frango virtual?
Hoje ficamos nos perguntando: será que as crianças, ao saborear nuggets, sabem que aqueles pedacinhos de alguma coisa empanada, é parte daquele animal que tinha vida, que tinha  duas patas, um bico e o corpo coberto de penas, que se chama frango e  que é uma ave comestível?

Mas de tudo isso, posso garantir que o que realmente aprendi com minha avó, não foi apenas uma aula de ciências, mas sim aprendi a transmitir com serenidade aos meus netos  o que pude aprender com ela.

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