Durante
muitos anos atendendo em clínica de psicologia, arrumei um jeito informal e de
fácil entendimento de falar sobre como proteger nossa integridade emocional.
Tenho frequentemente conversado com os pacientes sobre um tesouro que temos guardado dentro de nós e que precisamos proteger.
Peço que imaginem então como se existisse dentro de nós, uma mandala, onde no centro, está o tesouro no qual guardamos nossa vida, nossa essência, nossa intimidade, enfim nossas preciosidades.
Tenho frequentemente conversado com os pacientes sobre um tesouro que temos guardado dentro de nós e que precisamos proteger.
Peço que imaginem então como se existisse dentro de nós, uma mandala, onde no centro, está o tesouro no qual guardamos nossa vida, nossa essência, nossa intimidade, enfim nossas preciosidades.
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Este tesouro é rodeado por sentinelas que o protegem e ao redor das sentinelas existem bijuterias, coisas sem valor.Quando estamos bem emocionalmente, isto é, mais tranquilos, menos angustiados, este tesouro é protegido pelas sentinelas, que funcionam harmoniosamente, como guardiãs fiéis, não permitindo que “ladrões” venham “assaltar” nossa intimidade.Assim, estas sentinelas, como referi, estão sempre atentas e elas abrem o tesouro apenas para pessoas com as quais tem um forte vinculo, com a certeza de que estas saberão cuidar das preciosidades nele contidas. Este pode ser um verdadeiro amigo ou uma pessoa de extrema confiança.Existem duas situações onde as sentinelas estão em descontrole : na depressão ou na euforia, sendo que no transtorno afetivo, estas situações se alternam, deixando o paciente muito confuso, inseguro e com medo.Na depressão as sentinelas estão hiper vigilantes, e na euforia elas estão em repouso ou anestesiadas.Quando as sentinelas estão hiper vigilantes, o paciente não consegue comunicar seu sofrimento, fica travado, angustiado, com medo, preferindo o silêncio e o isolamento, então as sentinelas não permitem que ninguém chegue perto. A pessoa está em extremo sofrimento e impossibilitada de pedir ajuda ( o tesouro está trancado a sete chaves).Ao contrário, quando as sentinelas estão em repouso, isto é ,na euforia, o que temos observado é que as sentinelas não cuidam do tesouro e a porta deste está sempre aberta, permitindo que qualquer um faça o que quiser com todas as preciosidades ali contidas.Desta forma, acredita que alguém vai dar uma solução mágica para o seu problema. .Assim, a vida torna-se estilhaçada, como pedaços de espelho quebrado. Cada pedaço para um lado, é como se cada um que ouviu a história, levasse consigo um pedaço da vida da pessoa que a contou.O que acontece quando as sentinelas estão em repouso ? Elas não estão cuidando da porta do tesouro. Qualquer um que chega, encontrando o tesouro aberto, leva as jóias mais preciosas, isto é, partes preciosas da vida, como por exemplo um segredo. Num primeiro momento, quando comunicam sua intimidade, seus segredos, isso para qualquer pessoa , seja: um vizinho, a empregada, o motorista de táxi, o jardineiro, a manicure, etc, têm a sensação enorme de alívio. Acham que encontraram uma solução para o problema. Porém, depois que a pessoa virou as costas, passados alguns instantes, aparece um medo extremo de perder o controle, o contato com a realidade.Então quem contou o segredo, torna-se refém de quem ouviu, em consequência, sente que não pode romper a amizade com este , pois precisa estar ligado como que precisando cuidar de sua parte que agora está com o outro.A mandala que na saúde estava bem organizada, na doença acaba se desconfigurando.Quando se começa um processo terapêutico, a primeira coisa que temos observado é que o paciente pára de falar da vida fora da sessão e guarda os acontecimentos para falar na terapia, começa a cuidar de sua mandala , protegendo seu tesouro.Quanto mais o processo avança, menos as sentinelas abrem o tesouro para qualquer pessoa, ocorrendo assim que fora da sessão, os “ladrões” possam carregar apenas as bijuterias, coisas sem importância.Para que o terapeuta possa olhar dentro do baú de preciosidades, é necessário que se estabeleça um vínculo de confiança com o paciente . Então este vai devagar, com habilidade, respeito atuando através deste vínculo, abrindo a tampa do tesouro iluminando e analisando cada detalhe da mandala, junto com o paciente .Com o andamento do processo terapêutico, o paciente vai aos poucos, resgatando suas preciosidades muitas vezes abandonadas, esquecidas ou perdidas pelo caminho da vida, e assim recompondo a formatação original de sua mandala interior.Logo no início, o terapeuta começa a perceber uma diminuição da ansiedade do paciente, porque este sente que suas jóias estão sendo recuperadas e protegidas e aos poucos sentindo-se mais desperto de sua cegueira emocional, enfim sentindo- se mais seguro podendo cuidar de sua vida.