“ Entender
e aceitá-los como pessoas diferenciadas, por vezes completamente diferentes de
nós em suas escolhas afetivas, profissionais, pessoais, ideológicas, este é o
verdadeiro desafio dos pais: perceber seus filhos como seres humanos únicos, que independem de você para muitas
coisas que antes necessitavam e que, a
cada dia, precisarão menos. Encarar essa realidade e descobrir nessa caminhada
uma nova fonte de realização é, para muitos pais, extremamente doloroso “. (
O adolescente por ele mesmo – Tânia Zaguri )
A grande maioria dos pais de
adolescentes, fica perplexa sem saber como lidar com essa nova fase de vida dos filhos. O
adolescente coloca em dúvida os preconceitos e valores até então
estabelecidos como corretos pela família. Quanto mais rígida a educação, maior
também será a atitude de oposição e maiores serão os questionamentos;
contudo, questionamentos fazem parte do
amadurecimento.
Essa é a fase de conflito
para o adolescente porque ao mesmo tempo que têm atitudes de oposição aos pais,
ele também necessita de alguém que lhe
mostre o caminho.
Há momentos em que reivindicam e questionam
como adultos, outras vezes comportam- se como verdadeiros bebês!
É também extremamente difícil e porquê não dizer angustiante para os pais lidarem com essa mudança de comportamento dos filhos.
A grande questão, está
em permitir que o filho questione, que
ele possa fazer suas escolhas, porém sem deixa-lo totalmente sem limites, como
um barco à deriva.
A base da relação, é tentar
entremear essas duas formas de agir, aliado
ao afeto, limite e respeito mútuos.
Grande parte das vezes os
pais projetam seus próprios sonhos nos
filhos; sonhos não realizados na sua adolescência, e quando isso não acontece,
vivenciam frustrações e angústias.
É necessário considerar que
o filho é uma outra pessoa que tem outros sonhos e aspirações diferentes daquelas
de seus pais. Saber ouvir, trocar ideias,
estar aberto ao diálogo, informar, não ser omisso nas suas questões sejam elas quais forem, aceita-los na sua forma de
ser é uma boa saída.
Ao invés da velha frase “
mas no meu tempo, as coisas eram diferentes”, mais sadio será mostrar uma
diretriz ao filho, através do exemplo e da atitude como pessoa.
Outra forma interessante é
pesquisar e conversar com os filhos
sobre seus antepassados, sobre as histórias da família de origem tanto paterna como materna; falar como as
pessoas eram , seus sucessos e insucessos como pessoas e como profissionais que
foram.
Também não devemos nos esquecer que os filhos estão sempre atentos e
vigilantes , observando as atitudes e comportamentos dos pais, é correto então
dizer que vale mais um bom exemplo do que muitas palavras.
As figuras paternas irão ao
longo da vida dos filhos servir de modelo, e se o vínculo afetivo entre eles
for bom, via de regra irão guiar-se por aí. Contudo, na falta dos pais, poderão
guiar-se por algum ente querido, ou um
professor ou mesmo um amigo.
Se o jovem não
puder encontrar estes modelos dentro de casa, irão com certeza procura-los na rua seguindo modelos de
líderes que admiram.
Na busca desenfreada pelo
sustento, fica cada vez mais difícil ter um tempo para o filho, pois os pais
saem de casa pela manhã e só retornam à noite, e a maior parte das vezes
sentindo-se extremamente culpados pela ausência.
Conscientes ou não, esta
culpa, pode tornar os pais altamente permissivos, com muita dificuldade em
dizer “não”, tão importante em determinados
momentos.
Uma pesquisa realizada, para
se saber sobre o uso de drogas na adolescência, comprovou que jovens que têm
uma boa estrutura de personalidade, e uma família bem constituída, pais que dão
limites aos filhos, que compartilham efetivamente da vida dos filhos, que fazem
coisas alegres juntos, pais que participam
de esportes com os filhos, que estão realmente presentes nos momentos
alegres e tristes, dificilmente entraram para o caminho das drogas.
É extremamente difícil ser
pai ou mãe, e ninguém tem uma receita
para tal missão, mas uma coisa é certa, é preciso estar em sintonia com
o filho, entender sua linguagem, não fechar o canal de comunicação que existe
entre ambos e passar a segurança de que
o filho pode confiar neles – pais-
A relação entre pais e
filhos, oportuniza uma valiosa troca de experiência onde todos estão sempre
aprendendo: “ os filhos aprendem com os pais o caminho da vida, todavia os pais
estão continuamente aprendendo com os filhos a serem pais”.