terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SEU FILHO ADOLESCENTE

Entender e aceitá-los como pessoas diferenciadas, por vezes completamente diferentes de nós em suas escolhas afetivas, profissionais, pessoais, ideológicas, este é o verdadeiro desafio dos pais: perceber seus filhos como seres humanos  únicos, que independem de você para muitas coisas que antes necessitavam e  que, a cada dia, precisarão menos. Encarar essa realidade e descobrir nessa caminhada uma nova fonte de realização é, para muitos pais, extremamente doloroso “. ( O adolescente por ele mesmo – Tânia Zaguri )
A grande maioria dos pais de adolescentes, fica perplexa sem saber como lidar  com essa nova fase de vida dos filhos. O adolescente coloca em   dúvida os preconceitos e valores até então estabelecidos como corretos pela família. Quanto mais rígida a educação, maior também será a atitude  de  oposição e maiores serão os questionamentos; contudo, questionamentos  fazem parte do amadurecimento.
Essa é a fase de conflito para o adolescente porque ao mesmo tempo que têm atitudes de oposição aos pais, ele também necessita de alguém  que lhe mostre o caminho.
 Há momentos em que reivindicam e questionam como adultos, outras vezes comportam- se como verdadeiros bebês!
É também extremamente  difícil e porquê não dizer angustiante  para os pais lidarem  com essa mudança de comportamento dos filhos.
A grande questão, está em  permitir que o filho questione, que ele possa fazer suas escolhas, porém sem deixa-lo totalmente sem limites, como um barco à deriva.
A base da relação, é tentar entremear essas duas formas de agir,  aliado ao afeto, limite e respeito  mútuos.
Grande parte das vezes os pais projetam  seus próprios sonhos nos filhos; sonhos não realizados na sua adolescência, e quando isso não acontece, vivenciam frustrações e angústias.
É necessário considerar que o filho é uma outra pessoa que tem outros sonhos e aspirações diferentes daquelas  de seus pais. Saber ouvir, trocar ideias, estar aberto ao diálogo, informar, não ser omisso nas suas questões sejam  elas quais forem, aceita-los na sua forma de ser é uma boa saída.
Ao invés da velha frase “ mas no meu tempo, as coisas eram diferentes”, mais sadio será mostrar uma diretriz ao filho, através do exemplo e da atitude  como pessoa.
Outra forma interessante é pesquisar  e conversar com os filhos sobre seus antepassados, sobre as histórias da família de origem  tanto paterna como materna; falar como as pessoas eram , seus sucessos e insucessos como pessoas e como profissionais que foram.
Também não devemos nos esquecer  que os filhos estão sempre atentos e vigilantes , observando as atitudes e comportamentos dos pais, é correto então dizer que vale mais um bom exemplo do que muitas palavras.
As figuras paternas irão ao longo da vida dos filhos servir de modelo, e se o vínculo afetivo entre eles for bom, via de regra irão guiar-se por aí. Contudo, na falta dos pais, poderão guiar-se  por algum ente querido, ou um professor ou mesmo um amigo.
Se o jovem   não puder encontrar estes modelos dentro de casa, irão com certeza  procura-los na rua seguindo modelos de líderes que admiram.
Na busca desenfreada pelo sustento, fica cada vez mais difícil ter um tempo para o filho, pois os pais saem de casa pela manhã e só retornam à noite, e a maior parte das vezes sentindo-se extremamente culpados pela ausência.
Conscientes ou não, esta culpa, pode tornar os pais altamente permissivos, com muita dificuldade em dizer “não”, tão importante  em determinados momentos.
Uma pesquisa realizada, para se saber sobre o uso de drogas na adolescência, comprovou que jovens que têm uma boa estrutura de personalidade, e uma família bem constituída, pais que dão limites aos filhos, que compartilham efetivamente da vida dos filhos, que fazem coisas alegres juntos, pais que participam  de esportes com os filhos, que estão realmente presentes nos momentos alegres e tristes, dificilmente entraram para o caminho das drogas.
É extremamente difícil ser pai ou mãe, e ninguém tem uma receita  para tal missão, mas uma coisa é certa, é preciso estar em sintonia com o filho, entender sua linguagem, não fechar o canal de comunicação que existe entre ambos  e passar a segurança de que o filho pode confiar neles – pais-

A relação entre pais e filhos, oportuniza uma valiosa troca de experiência onde todos estão sempre aprendendo: “ os filhos aprendem com os pais o caminho da vida, todavia os pais estão continuamente aprendendo com os filhos a serem pais”.   

sábado, 30 de novembro de 2013

COMO PROTEGER NOSSO TESOURO INTERIOR

Durante muitos anos atendendo em clínica de psicologia, arrumei um jeito informal e de fácil entendimento de falar  sobre como proteger nossa integridade emocional.
 Tenho frequentemente conversado com os pacientes sobre um tesouro que temos guardado dentro de nós e que precisamos proteger. 
Peço que imaginem então como se existisse  dentro de nós, uma mandala, onde no centro, está o tesouro  no qual guardamos nossa vida, nossa essência, nossa intimidade, enfim nossas preciosidades.
  • Este tesouro  é rodeado por sentinelas  que  o protegem e ao redor das sentinelas existem  bijuterias, coisas sem valor.
    Quando estamos bem emocionalmente, isto é, mais tranquilos, menos angustiados, este tesouro é  protegido pelas sentinelas, que funcionam harmoniosamente, como guardiãs fiéis, não permitindo que “ladrões” venham “assaltar” nossa intimidade.
    Assim,  estas sentinelas, como referi, estão sempre atentas e elas abrem o tesouro apenas para pessoas com as quais tem  um forte vinculo, com a certeza de que estas saberão cuidar das preciosidades nele contidas.  Este  pode  ser  um verdadeiro amigo ou uma pessoa de extrema confiança.
     Existem duas situações onde as sentinelas estão em descontrole : na depressão ou na euforia, sendo que  no transtorno afetivo, estas situações se alternam, deixando o paciente muito confuso,  inseguro e com medo.
    Na depressão as sentinelas estão hiper vigilantes, e na euforia  elas estão em repouso ou anestesiadas.
    Quando as sentinelas estão hiper vigilantes, o paciente não consegue  comunicar seu  sofrimento, fica  travado, angustiado, com medo, preferindo o silêncio e o isolamento, então as sentinelas não permitem que ninguém chegue perto. A pessoa está em extremo sofrimento e impossibilitada de pedir ajuda ( o tesouro está trancado a sete chaves).
    Ao contrário, quando as sentinelas estão em repouso, isto é ,na euforia, o que temos observado é que as sentinelas  não cuidam do tesouro e a porta deste está sempre aberta, permitindo que qualquer um faça o que  quiser  com todas as preciosidades ali contidas.
    Desta forma, acredita que alguém vai dar uma solução mágica para o seu problema. .
    Assim, a vida torna-se estilhaçada, como pedaços de espelho quebrado. Cada pedaço para um lado, é como se cada um   que ouviu a história,  levasse consigo um pedaço da vida  da  pessoa  que a contou.
    O que acontece quando as sentinelas estão em repouso ?  Elas não estão cuidando   da  porta do tesouro. Qualquer um que chega,  encontrando o tesouro aberto, leva as jóias mais preciosas, isto é, partes preciosas da vida, como por exemplo  um segredo. Num primeiro momento, quando  comunicam sua intimidade, seus segredos, isso para qualquer pessoa , seja: um vizinho, a empregada, o motorista de táxi, o jardineiro, a manicure, etc, têm a sensação enorme de alívio. Acham que encontraram uma solução para o problema. Porém, depois que a pessoa virou as costas, passados alguns instantes,  aparece um medo extremo de perder o controle, o contato com a realidade.
    Então quem contou o segredo, torna-se refém de quem ouviu, em consequência,  sente que  não pode romper a amizade com este , pois precisa estar ligado como que precisando cuidar de sua parte que agora está com o outro.
    A mandala que na saúde estava bem organizada, na doença acaba se  desconfigurando.
    Quando se começa um processo terapêutico, a primeira coisa que temos observado é que o paciente pára de falar da vida fora da sessão e guarda os acontecimentos para falar na terapia, começa a cuidar de sua mandala , protegendo seu tesouro.
    Quanto mais o processo avança, menos  as sentinelas  abrem o tesouro para qualquer  pessoa, ocorrendo assim que fora da sessão, os “ladrões” possam carregar apenas as bijuterias, coisas sem importância.
     Para que o terapeuta possa olhar dentro do baú de preciosidades, é necessário que se estabeleça um vínculo  de confiança com  o paciente . Então este vai devagar, com habilidade, respeito atuando através deste vínculo, abrindo a tampa do tesouro  iluminando  e analisando cada detalhe da mandala, junto com o paciente .Com o andamento do processo terapêutico, o paciente vai aos poucos, resgatando suas preciosidades muitas vezes abandonadas, esquecidas ou perdidas pelo caminho da vida, e assim recompondo a formatação original de sua mandala interior.
    Logo no início, o terapeuta começa a perceber uma diminuição da ansiedade do paciente, porque este  sente que suas jóias estão sendo recuperadas e protegidas e  aos poucos sentindo-se mais desperto de sua cegueira emocional, enfim sentindo- se mais seguro podendo cuidar de sua vida.
























































































































quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Antes que eles cresçam

   Affonso Romano Sant’Anna
Há um período em que os pais  vão ficando órfãos dos seus próprios filhos.
As crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida.
Mas não crescem todos os dias de igual maneira
Crescem  de repente
Um dia, sentam-se perto de você e dizem uma frase com tal maturidade que você sente  que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquele danadinho que  você não percebeu?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e  desobediência civil. E você está agora ali,  na porta da discoteca, esperando que ela não apenas  cresça mas apareça!
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziante sobre patins e cabelos longos, soltos.
 Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: mochilas nos ombros...
Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar.
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não repitam...
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do balé, do inglês, da natação e do judô
Saíram do banco de trás  e passaram para o volante de suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer  para ouvir sua alma respirando conversas e confidencias  entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio  adesivos , pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio, subiam a serra ou iam à casa da praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.
Sim, havia brigas dentro do carro, a disputa pela janela...
Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.
Os pais, ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daqueles  “pestes”.
O jeito é esperar : qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso, e estocado não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem  tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar nosso afeto.

 Por isso, é preciso fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.  

domingo, 24 de novembro de 2013

Seu filho adolescente pode estar deprimido

Frequentemente chegam à nossa clínica ,  pais angustiados porque seus filhos adolescentes estão apresentando dificuldades escolares.
Analisando um pouco mais a fundo, eles nos dizem que os filhos permanecem longo tempo dormindo, ou passam horas a fio ouvindo música, ou navegando na Internet, evitam o contato   com familiares. “Ele é preguiçoso, não ajudam em nada dentro de casa”, dizem os pais.
Outra queixa é que os jovens colocam – se em situações de risco  e isto os assusta muito.
Nesta fase, os jovens ainda não tem  controle sobre as emoções, então ora ri muito, outras vezes chora, irrita-se com facilidade, ou tem expressão de raiva intensa.
A incidência da depressão é alta na adolescência, contudo ela pode ser confundida com esta variação de humor, que o jovem apresenta.
Convivemos com estes fatos no dia a dia, jovens que participam de esportes radicais, dirigem em alta velocidade,  tomam porres, experimentam drogas, ou transam sem preservativos, etc.
Mudanças de humor, podem ser consequências da ação hormonal e mudanças gerais pelas quais o organismo esta passando, e também por ações emocionais como por exemplo, medo de enfrentar a vida adulta, como viver independente dos pais, que profissão seguir, como ganhar dinheiro para sobreviver ,etc.
Toda situação acima quando agravada, é preciso que os pais procurem ajuda profissional, primeiro a consulta ao médico para uma avaliação física, e posteriormente uma consulta com um psicólogo. Por traz destes sintomas pode estar escondida uma depressão.
O que muitas vezes parece ser um acidente ou uma inconsequência, pode na verdade ser uma tentativa de suicídio.
A maioria dos pais não leva a serio ou não consegue perceber o sofrimento pelo qual o filho está passando.
O sintoma que normalmente chama a atenção dos pais é o insucesso escolar  .
Os jovens não sabem o que está acontecendo com eles há momentos em que sentem  se adultos e acham que sabem tudo e não precisam de ninguém e há outros momentos em que sentem –se inseguros, e agem como crianças pequenas.
A depressão destrói a energia e a auto - estima, e interfere na  capacidade da pessoa em pedir ajuda.
Há fatores biológicos e emocionais que podem predispor um jovem a desenvolver um transtorno depressivo, contudo isso varia de pessoa para pessoa.
Os conflitos emocionais vivenciados pelos jovens podem advir de insatisfações com o próprio corpo, ou com seu modo de ser, ou término de um namoro, insucesso escolar, ou ainda por desestruturação familiar.
 Dentro deste último fator, seja um pai alcoólatra, brigas frequentes entre os membros da família, agressões físicas ou verbais entre os pais, enfim, estar exposto a situações de estresse constate dentro de casa, etc.
O que para nós adultos é um motivo banal,  para os jovens pode ter uma conotação muito forte. 
A depressão também é um caminho aberto para a procura de drogas e do álcool; estando sob o efeito das drogas tem-se a falsa impressão de que a tristeza passou, parece que a vida fica mais leve.
Os sintomas mais visíveis da depressão são: perda de interesse pela vida, uso de drogas, sentimento de vazio interior, solidão, isolamento, dificuldades para dormir ou dormir demais, dificuldades para reagir às pressões do dia a dia, obesidade, anorexia, bulimia, dificuldades escolares, etc.
Os pais diante disso nos perguntam: - o quê fazer ?
Nossa orientação é de que facilitem o diálogo com seu filho, esse canal de comunicação não pode se fechar.
Perguntar-se como anda a relação com seu filho, ser honesto nas respostas e estar atento às mudanças e crises de humor dos jovens é imprescindível.  
É preciso que o jovem sinta que os pais são suficientemente maduros  emocionalmente para oferecer-lhe proteção e segurança neste momento tão difícil da vida.

Em alguns casos é importante consultar um psicólogo para uma avaliação do adolescente e também rever como andam as relações familiares.   

sábado, 23 de novembro de 2013

NOSSO COTIDIANO

“À medida que a família foi evoluindo até os tempos atuais, ocorreram modificações no relacionamento com os filhos. Por exemplo: antes, os motivos da consulta psiquiátrica decorriam do fato de que os filhos não obedeciam, eram rebeldes. Atualmente, observa-se que a procura é pelo fato de que os filhos estão desorientados e com dificuldade de se inserirem no mundo. ( Família pós Moderna Gildo Katz e Gley P. Costa)
 Hoje as mães não podem mais ficar em casa com seus filhos, porque elas também precisam trabalhar para contribuir em parte com o orçamento doméstico e em parte por elas mesmas como forma de sentir-se útil, importante, porque o serviço doméstico hoje, parece desvalorizado.
Com a saída da mãe, as crianças ficaram sem um referencial para seguir,  quando não estão sobrecarregadas com tarefas escolares e cursos extracurriculares, têm como companhia a empregada doméstica, a  televisão ou a Internet .
À procura de trabalho, as famílias migraram para os grandes centros. E nestes o contato com a violência, com o medo e com a insegurança.
Em vista disto, e com toda razão, os pais passaram a proteger excessivamente os filhos.
As próprias famílias estão também encapsuladas em seus lares em  apartamentos ou condomínios fechados.
O excesso de proteção os deixou mais solitários e os privou de experimentar, de correr riscos , elas não podem mais brincar nas ruas, trocar experiências com outras crianças, como se fazia antigamente.
As famílias, igualmente solitárias, muitas vezes não conhecem seus vizinhos, passando anos sem saber quem mora ao lado. Cada família fechada em seu próprio mundo sem poder aprender  com outras famílias ou com os mais velhos. A família sem um referencial de outras famílias fecha-se em seu  sistema particular e único, advindo daí uma insegurança em criar filhos.
Para sobreviver nos grandes centros, as famílias precisaram criar um sistema artificial e hoje passam a juntar-se a  grupos de amigos igualmente  solitários, tentando se ajudar, por exemplo, uns levam os filhos dos outros para a escola e os outros trazem, etc...
As crianças hoje só andam de automóvel,  recebem tudo pronto desde o que comer até as escolhas das roupas que irão vestir. O excesso de proteção deixa as pessoas inseguras, impede o livre caminhar, torna-as indefesas e com dificuldades de experimentar situações novas ou tomar decisões.
Desta forma, as crianças não podem mais brincar nas ruas e desfrutar de todo o aprendizado que a natureza e as brincadeiras infantis ofereciam, não têm parentes por perto, a quem possam seguir como modelo, ou alguém que os aconselhe ou lhes ofereçam segurança quando os pais não estão em casa.         
Todos nós sabemos da qualidade dos programas de t.v., o que as crianças assistem hoje é um apelo à violência, um incentivo à sexualidade e ao consumismo.A televisão é formadora de opinião, ela traz tudo pronto sem dar oportunidade do jovem pensar, falar, argumentar.
Outro fator preocupante além da televisão é a Internet, se bem que quando  usada adequadamente pode  contribuir de forma significativa para desenvolver o conhecimento geral.  A Internet  já faz parte integrante de nossa vida, ela nos mantém em contato  com o mundo e isto é maravilhoso.
Contudo, os filhos sozinhos em casa ficam nas salas de bate papo e os pais não sabendo quem é o desconhecido com quem elas estão conversando e que tipo de assunto estão abordando e qual a quantidade de horas estão dispensando a estas atividades.
 Contudo, há crianças e jovens que permanecem a noite toda na Internet e no dia seguinte, dormem na sala de aula e já podemos sentir os efeitos disso ao  atender crianças e adolescentes com sérios problemas comportamentais, e péssimo rendimento escolar .
Os pais como  orientadores, educadores devem estar presentes, quando os filhos estão na Internet, observando quais sites estão acessando, e limitar o tempo de utilização da Internet .
Às vezes as pessoas nos perguntam: porque o nível de violência tem aumentado tanto?
Percebemos que as crianças não estão sendo respeitadas como crianças, elas estão dia a dia tornando-se um adulto em miniatura.
Não existe moda para crianças, roupa de criança é igual a dos adultos. Nas vitrines não se encontram mais calçados infantis, sapatos para as meninas, apenas com saltos altos iguais aos da mamãe.
O que ocorre é que estamos queimando etapas do seu desenvolvimento social, afetivo emocional. Os meios de  comunicação acabam por exacerbar a sensualidade precoce.
As crianças não tem mais contato com a natureza, nem tampouco constroem seus brinquedos. Os pais ganham dinheiro e os compram prontos.
A culpa que sentem em deixá-los para poder trabalhar o dia todo,  faz com que acabem comprando além do necessário, e as crianças acabam não se apegando ou dando pouco valor afetivo a ele. O brinquedo quebra, mas não faz mal, a mamãe compra outro rapidinho.
As pessoas se alimentam no transito, comendo um hambúrguer e tomando uma coca- cola, que além de prejudicar a saúde provocando a obesidade, aborta a oportunidade do convívio social familiar.
É difícil, hoje em dia, uma família sentar-se à mesa reunida para um almoço e conversar, saber como foi o dia de cada um.
Outro fato importante que observamos é que existe pressa em tudo, está todo mundo muito atarefado, sem tempo para conversar, desenvolver a religiosidade,  ensinar as coisas da vida para as crianças, transmitir a história da família, transmitir valores humanos e culturais, etc.
Percebemos que muitos  jovens estão na verdade tendo uma lacuna em termos de seu desenvolvimento físico, afetivo emocional e social, traduzido pelo prejuízo que se expressa quando os recebemos em nossa clínica com os seguintes sintomas: sentimento de solidão, depressão, anorexia – bulimia, agressividade elevada, passividade elevada, tentativa de suicídio, gravidez precoce, drogadição, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de atenção e concentração, dificuldade de socialização, dificuldade de comunicação e expressão, a linguagem está cada dia mais precária, e a dificuldade para escrever, maior ainda.
No livro  Bordeline , chamou-me a atenção a referencia do autor falando a respeito do suicídio. Ele relata que o fato da pessoa desejar o suicídio ou o alto índice de suicídio deva-se ao fato da pessoa sentir um vazio muito grande, promovido pela perda do referencial familiar, e também pela falta de religiosidade.
“E meu único talento de pedagogo é talvez ter conservado uma impressão tão total da juventude, que sinto e compreendo, como criança que educo. Os problemas que estas colocam e que são enigma tão grave para os adultos, coloco-os ainda a mim mesmo com as nítidas recordações dos meus oito anos, e é como adulto - criança que descubro, através dos sistemas e métodos que sempre me fizeram sofrer, os erros de uma ciência que esqueceu e desconhece as suas origens.

Porque os verdadeiros problemas da infância são e permanecem os mesmos: o capim que se agita, o inseto que zumbe, a cobra cujo silvo gela o sangue, o trovão assustador, a sineta que toca as horas mortas da escola, os mapas mudos e os quadros fantásticos. E é a vida, através das exigências do meio, que se agita sempre, intrépida e inextinguível, essa vida que basta encontrar e ajudar para que desabroche, apesar dos nossos destinos acorrentados, a comovedora  história da infância audaz.” (CÉLESTIN FREINET)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PERDAS E GANHOS NOS ÚLTIMOS 60 ANOS

PERDAS E GANHOS  NOS ÚLTIMOS 60 ANOS


CASIMIRO DE ABREU
                                                                         Lisboa- 1857
Oh!Que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais...

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
Pés descalços braços nus
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Ao ler a poesia de Casimiro, os mais velhos, se reportam à sua infância...
Eles se lembram que quando  crianças brincavam alegremente nas ruas, sem medo, não havia violência . Lembram-se também que as casas dos vizinhos, amigos e parentes estavam sempre abertas e quase não havia muros que as separava. Os vizinhos também ajudavam a cuidar das crianças!
Os meios de transporte e de comunicação eram precários; neste tempo ainda não havia televisão.
Casas abertas, sem muros, sem televisão, era um convite para um cafezinho e um bom papo entre os adultos. Parecia não haver pressa entre as pessoas.
As famílias moravam muito próximo uma das outras e as crianças tinham um convívio permanente com seus avós, tios e primos, favorecendo sobremaneira os contatos sociais e afetivos.
No dia a dia, enquanto os pais trabalhavam, as mães ficavam em casa cuidando e orientando os filhos.
As crianças tinham como responsabilidade: ajudar a cuidar dos irmãos mais novos, arrumar a casa, ajudar a mamãe a preparar a alimentação da família, ir à escola e depois do dever cumprido, eram autorizadas a brincar.
Quase não havia brinquedos prontos, e elas construíam seus  próprios  brinquedos. As meninas brincavam de cantigas de roda, pular corda, passar anel, amarelinha, de casinha. Faziam petecas de palha de milho e penas de aves, enquanto que os meninos construíam seus balões, seus carrinhos com carretéis de linha e suas pipas usando bambu .
...”Adivinhações populares faziam parte da infância ( do tipo o que é , o que é que cai de pé e corre deitado) e outras. Ter que pensar , raciocinar rápido, Uma brincadeira de rua. Reunia-se a turma na calçada,  alguém ( era sempre uma mulher ) se levantava e fazia a pergunta. Quem adivinhasse fazia a próxima e assim por diante . Ganhava quem ia mais para o centro da roda fazer perguntas. Ganhava o quê? Um prêmio? Não , ganhava nada a não ser a honraria. O prazer. Tinha gente que era rei ou rainha- das adivinhações-, assim como tinha gente que era o melhor para atravessar a rua em um pé só, sabia se esconder sem nunca ter achado, criava as melhores pipas ( chamadas também de papagaio), vencia as corridas com arco de ferro , ( um círculo de ferro encontrado em lugares mais impossíveis, tocado com um bastão de madeira ou uma vareta de arame grosso, derrotava a todos com o carrinho de rolimã ou mesmo nos de rodas de madeira, vencia sempre nos jogos de tampinha ou bolinha de gude.
A rua era nosso território. Havia ruas onde nunca passavam carros. O caminhão de lenha vinha um vez por semana, descarregava a madeira na calçada. Os filhos ( nós ) eram obrigados a levar a lenha , cheia de farpas pontiagudas, para o quintal, para os pais picarem uma vez por dia...
...Brinquedo de loja somente duas vezes por ano, no aniversário ou no Natal. Era cuidar- porque tinha quem roubava - e tratar de inventar mil e umas com aquele caminhãozinho de madeira ( não existia plástico)Com uma lata em cima virava ônibus. Com outra, redonda, de óleo de cozinha, se fazia um caminhão de gasolina. Com duas tabuinhas pregadas nas laterais, se tornava um avião. Um só brinquedo se tornava 200, bastava ter imaginação e fantasia. Sabíamos sonhar. Era a magia. Bonecas nasciam de trapos conseguidos nas costureiras, ou de sabugos de milho. Brincava –se de fazer comida em latas de massa de tomate. Batons eram subtraídos das mães e tias para embelezar .Na minha rua sempre se fazia um teatrinho mambembe em cima de algum quarador de roupa . Quando o pai não podia comprar brinquedo, o jeito era freqüentar a marcenaria do Negrini e catar sobras de tábuas e, com arames e pregos enferrujados encontrados pela rua, criar máquinas alucinantes..”
( Ignácio de Loyola Brandão-25 de fevereiro de 2005 –Jornal _O  Estado de São Paulo)
Construir os próprios brinquedos, dava  às crianças uma satisfação ímpar, e dentre estes brinquedos , apareciam os jogos sazonais,  jogos que apareciam como o próprio nome diz segundo as estações do ano  . Em agosto apareciam as pipas, por causa dos ventos mais fortes, em junho os balões, nas festas juninas,  colheita do milho , as petecas e bonequinhas feitas de palha e sabugo de milho, barquinhos de papel para colocar na enxurrada na época das chuvas etc.
O contato com a natureza era freqüente, e os sentidos estavam todos sempre aguçados ao andar descalço em contato com a terra, ao observar o tamanho e a forma dos animais como cavalo, cães, gatos, pássaros, borboletas, ao admirar as cores das flores, ao sentir o cheiro da terra seca ou molhada, ao tomar banho de cachoeira, ao brincar das águas limpas e geladas dos rios, ao empinar pipa, ao sentir a velocidade do vento que batia  no rosto, ao brincar na chuva sentindo a força da água da enxurrada.
 Vez ou outra aparecia um circo na cidade e a criançada ficava deslumbrada com os espetáculos. Palhaços e malabaristas, não proporcionavam apenas alegria , era mais que isso; era um verdadeiro encantamento , era um sonho mágico.
O respeito aos mais velhos era a norma familiar.
As crianças, não podiam participar de diversos assuntos dos adultos.
Às vezes, as crianças chegavam a pensar que eles estavam errados, mas hoje nos perguntamos: não seria uma forma de respeito e proteção às crianças? Não seria um jeito de dizer que tudo tem sua hora, que cada coisa tem seu tempo certo para acontecer?
Nesta época, as frutas não eram apanhadas verdes, sabia-se quando elas estavam no ponto certo de serem saboreadas, porque percebia -se sua coloração, a proximidade das abelhas querendo sorver o mel, e os pássaros bicando as mais doces!
 As pessoas tinham tempo para observar a natureza!
As reuniões familiares originavam um sentimento de proteção e alegria às crianças.
Os almoços de domingo, as conversas perto do fogão à lenha ou  ao redor da mesa, plena de pratos saborosos preparados pela vovó, era um momento sempre esperado.
As receitas culinárias eram passadas das mães para as filhas, e estas receitas eram compiladas em cadernos elaborados com muito esmero,  cada qual com o nome de quem as forneceu.
 Sempre que uma moça ia se casar, levava em seu enxoval o caderninho com receitas ensinadas por sua bisavó, sua avó e  sua mãe.  O caderno de receitas, era a obra de arte das donas de casa, era a forma de intercambiar intergeracionalmente experiências, era semelhante a álbum de fotografia da família, era parte da história das pessoas que não deveriam se perder no tempo.
 A culinária passada de geração a geração tinha a ver com as raízes, com a  origem, com a nossa história de cada família.
Cada prato daquele caderno de receitas saboreado hoje, trás à  lembrança,  os odores , os sabores , a alegria, e a saudade da infância.
Durante a semana, à noite, enquanto as crianças brincavam na rua, em frente as casas, as famílias reuniam-se na casa de um ou de outro  para  jogar buraco ou bingo e isto acontecia à luz de velas.  O tempo demorava muito a passar.
Nesta época, o sentimento de solidariedade, o amor e respeito ao próximo, eram colocados antes de tudo. Quando um familiar ou um amigo tinha algum problema financeiro ou de saúde, estava a família unida para tentar auxiliar no que pudesse. Os  bebês nasciam em casa, a parteira era amiga, psicóloga , médica, pessoa que dava apoio naquele momento , era autoridade respeitada e querida por todos.     

sábado, 16 de novembro de 2013

Minha primeira aula de ciências

As pessoas mais velhas ainda se lembram com muitos detalhes quando a avó aos domingos dizia que precisava matar um frango para o almoço.
 Eu estava com 5 anos e assistia com muito interesse, cada etapa da operação.
 Primeiro a excitação vendo a corrida da vovó atrás do frango mais gordo.
 Depois a tristeza quando ela passava a faca no pescoço do bicho vendo o sangue escorrer pela terra, a seguir a retirada das penas na água fervente e a preocupação se o frango ainda sentia dor, depois vendo a transformação do animalzinho sem penas que mais parecia outro bicho com aquela pele enrugada.
Eu pegava uma cadeira, subia para observar mais de perto a vovó que trabalhava  sob a bancada da pia. Era interessante ver a pele, os ossos, cada parte do corpo, as asas, coxa, e que surpresa quando a vovó abria-lhe o peito e apareciam todas aquelas vísceras que ela aos poucos ia nominando, fígado, pulmões, intestinos, e um montão de ovinhos!
 Eu fiquei maravilhada, com aquela verdadeira aula de ciências ao vivo com direito a cores, odores e depois  os sabores de cada parte que ela preparou com muito carinho.
É certo que hoje em dia, não temos mais tempo para isso, e também não queremos abrir mão das facilidades, mas a pressa das pessoas se torna evidente, quando ao irem ao supermercado comprar nuggets; aquela caixinha que tem dentro como se fossem pedrinhas de gelo, que  podemos, com licença dos fabricantes  chamar de frango virtual?
Hoje ficamos nos perguntando: será que as crianças, ao saborear nuggets, sabem que aqueles pedacinhos de alguma coisa empanada, é parte daquele animal que tinha vida, que tinha  duas patas, um bico e o corpo coberto de penas, que se chama frango e  que é uma ave comestível?

Mas de tudo isso, posso garantir que o que realmente aprendi com minha avó, não foi apenas uma aula de ciências, mas sim aprendi a transmitir com serenidade aos meus netos  o que pude aprender com ela.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Homem Lúcido

O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções , que ele nunca se entusiasma com ela assim como ele nunca tem memorias. O homem lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a vida contém tanto sofrimento que a sua cessação não pode ser considerada um mal. O homem lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência. Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo. Pode também o homem lúcido, optar pela vida. Aí então, ele esgotará todas as possibilidades, e passeará pelo campo aberto, pelas suas vielas floridas e saberá ver a beleza em tudo. Ele terá amantes, amigos, ideais, urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças e se atingido por um destes emissários saberá suportá-los com coragem e mansidão. E morrerá o homem lúcido de causas naturais em idade avançada cercada pelos seus filhos e netos que seguirão suas magníficas aventuras. Pairará então sobre a memória do homem lúcido, uma aura de bondade. Dir- se- á : aquele amou muito, aquele fez muito bem às pessoas... A justa Lei Máxima da Natureza, obriga que a quantidade de acontecimentos maus, na vida de um homem, se iguale sempre aos acontecimentos favoráveis. O homem lúcido porém esse que optou pela vida, com o consentimento dos Deuses, tenha o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida os acontecimentos favoráveis serão sempre em maior quantidade, porque esta é uma cortesia que a natureza faz com o homem lúcido. Parte de um Tratado sobre a Lucidez, que teria sido escrito no sec. VI a C. na Caldéia- Mesopotamia Este texto foi encontrado nas escavações e estava escrito em pedra O

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A CASA DOS MIL ESPELHOS

Folclore japonês Tempos atrás em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido como a casa dos 1000 espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube deste lugar e decidiu visitar. Lá chegando, saltitou feliz escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e a cauda balançando tão rapidamente quanto podia. Para sua grande surpresa, deparou-se com outros 1000 pequenos e felizes cãezinhos, todos com suas caudas balançando tão rapidamente quanto a dele. Abriu um enorme sorriso, e foi correspondido com 1000 enormes sorrisos. Quando saiu da casa, pensou, - Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um montão de vezes. Neste mesmo vilarejo, um outro pequeno cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu 1000 olhares hostis de cães que lhe olhavam fixamente, rosnou e mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver 1000 cães rosnando e mostrando os dentes para ele. Quando saiu, ele pensou, - Que lugar horrível, nunca mais volto aqui. Todos os rostos no mundo são espelhos. Autor desconhecido

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Melhorando a qualidade de vida

Segundo pesquisas realizadas, o Brasil é o segundo país com o maior número de pessoas estressadas no trabalho. A forma como vivemos nos dias de hoje, nos encaminha a sacrifícios e exigências tamanhas, que torna- se difícil dar conta de tudo . Quando percebemos, estamos atolados com tantos compromissos, que precisamos de um grande esforço para realizar, às vezes tudo e outras vezes apenas parte deles e isto nos leva a ter uma péssima qualidade de vida. E nesta correria do dia a dia vivemos apressados e sempre atrasados com nossa atenção totalmente voltada para fora e desconectados de nós mesmos. Ficamos em dúvida se o dia tem mesmo 24 horas, ou se o dia foi cortado pela metade. O tempo está mais curto, ou nós que não mais sabemos como administrar o tempo? Com o estilo de vida que temos, não temos mais a consciência de nós mesmos e não conseguimos prestar atenção a alguns fatores vitais para a saúde tais como a respiração e a postura do nosso corpo, o não respeito ao horário de sono, alimentação rápida tipo fast food, não ter lazer, trabalhar em ambiente estressante, não ter uma pausa entre uma atividade e outra. Outros fatores são: poluição ambiental e sonora, sedentarismo, viver sempre apressado, pensamento acelerado, etc. Estes são apenas alguns itens de uma infindável lista. Estes fatores nos levam conseqüentemente a doenças emocionais principalmente ao estresse , depressão e demais doenças de ordem emocional e ou física. Precisamos urgentemente arrumar saídas para administrar as questões que a vida moderna nos impõe. Ter uma alimentação saudável, uma boa noite de sono, lazer, trabalhar com prazer, fazer esportes, fazer caminhada, dança, ouvir música, fazer artesanato, hidroginástica, ler um bom livro, assistir um bom filme, viajar, parar alguns minutos entre uma tarefa e outra permanecendo com a cabeça vazia, praticar yoga, entre outras, são caminhos alternativos de valor inestimável para melhorar nossa qualidade de vida . Contudo, de todas estas atividades destacamos o Yoga como prática completa, porque ela não se resume apenas em uma atividade motora, mas sim num trabalho que estrutura nosso corpo, nossas emoções a além disso amplia nossa consciência e nos devolve a saúde , conforme comprovam pesquisas realizadas no Brasil e em muitos países ao redor do mundo. Se analisarmos sob o ponto de vista sistêmico, podemos dizer que o Yoga faz a integração entre mente e corpo e entre corpo e mente, nos levando a sentir mais inteiros, mais equilibrados física e emocionalmente.

A importância do brincar na evolução emocional da criança

Quando solicitamos que um adulto desenhe uma casa, uma árvore ou um barquinho, descobrimos que apesar da evolução emocional, social e profissional, salvo exceções, esta atividade ficou estagnada mais ou menos por volta dos 7 ou 8 anos de idade. Porque esta atividade não evoluiu conforme outras áreas do saber? Porque as atividades livres, tais como: desenhar, subir em árvores, andar de bicicleta, mexer na terra, pular corda e tudo o que se referia ao lúdico, e que promoviam tanta criatividade e desenvolvimento, foram consideradas como perda de tempo e precisaram ser substituídas por responsabilidades. Ouvindo muitos pais, percebemos que eles estão extremamente sobrecarregados com as exigências financeiras da vida moderna, e isto acaba refletindo em preocupações em relação à vida profissional futura dos filhos. Como resultado de tais preocupações as crianças começam a ser alfabetizadas muito mais cedo, sem que o cérebro esteja maduro para receber tais informações e sobrecarregadas com tantas atividades. Antes do início do ensino formal, é preciso que o adulto que convive com a criança deva ajudá-la a dar asas a sua imaginação, à sua criatividade, ao seu mundo de fantasias, através do brincar. Estas atividades,contribuirão para o amadurecimento cerebral e emocional da criança. Recebemos em nossa clínica muitas crianças, extremamente, deprimidas e estressadas logo nos primeiros anos de vida, por necessitar dar conta de tantas tarefas curriculares e extra-curriculares. O ato de brincar, ou o tempo livre, ficou estigmatizado como perda de tempo, como dissemos, mas os adultos de hoje, não se esquecem da felicidade da fase tão maravilhosa que fora a sua infância, época em que não haviam compromissos nem responsabilidades e nem a competitividade de hoje. A única preocupação era com a escola. Podia-se brincar na rua, empinando pipa, pulando corda, jogando amarelinha, rodando pião, fazendo seus próprios brinquedos, e quanta coisa boa estas brincadeiras ensinava. Nós como psicólogos, não somos contrários a que os pais cobrem responsabilidades de seus filhos, pelo contrário, ela é parte integrante da educação, contudo, é preciso que elas tenham também tempo livre para fazer coisas que desejam ou coisas descompromissadas. Se existe tempo para estudar, deve haver também o tempo de não fazer nada , ou tempo livre. Isto deve ser contrabalançado. A criança não pode permanecer o tempo todo estudando, e nem tampouco ficar o tempo todo sem fazer nada, ou o tempo todo na internet ou na TV. Falando em internet, muitas crianças e adolescentes, passam a noite toda na internet e no dia seguinte acabam dormindo na sala de aula. Seu cérebro está tão cansado, que não conseguem manter a atenção na aula. Dormir o tempo suficiente, comer de forma saudável, brincar, relacionar-se com outras crianças, são fatores importantíssimos para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança . Quando existe algum problema de ordem alimentar, ou com o sono, é mais fácil de se identificar se algo não vai bem com a saúde física da criança. A coisa se complica quando a criança se isola, não quer ter amigos ou brincar,ou ficam muito caladas, fecham - se em seus quartos, apresentam-se irritadas, arredias, ou queixam-se com freqüência de dores abdominais ou dores de cabeça. Estes comportamentos poderão estar camuflando algum problema de ordem emocional. Em que áreas do desenvolvimento as brincadeiras poderão ajudar seu filho: - Desenvolvimento da consciência corporal - Desenvolvimento das relações afetivas -Respeitar e aceitar outros numa dinâmica social. -Desenvolvimento da consciência social e autoconsciência. Contribui para que as crianças entendam que quando se joga ou quando se compete, pode-se também perder e não apenas ganhar, levando-os a entender que vida é assim. -Desenvolvimento da capacidade de aceitar e respeitar os outros numa dinâmica social. - Aprender a aceitar e a respeitar normas do jogo e posteriormente aceitar e respeitar normas sociais. -Expressão de sentimentos e entendimento das emoções, como raiva, alegria, frustração,quando se ganha ou quando se perde num jogo. -A brincadeira promove O contato físico e emocional, fatores de extrema importância para a percepção de si e do outro. -Contribuição essencial para o desenvolvimento do processo evolutivo neuropsicológico saudável de toda criança. -Fortalecimento e do vinculo afetivo com os amigos. Dicas de brincadeiras para os pais realizarem com os filhos: -Bebês: brincar de faz de conta, rolar no chão, engatinhar, colocar e tirar objetos uns de dentro do outro, abaixar , levantar, abrir e fechar caixas, puxar e empurrar, esconder e achar. Crianças maiores: Ler um livro de história,jogos de memória , de cartas,quebra- cabeça,dominó, dama, assistir a um filme e discutir com o filho o tema do filme; preparar um lanche, colocar a mesa para o lanche, estourar pipoca,desenhar, consertar um brinquedo, etc. Se mora em apartamento, levar o filho ao play-ground,ou em alguma praça próxima para pular corda,jogar bola, levar o cãozinho para dar uma volta,convidar outros amiguinhos para brincar,etc. Durante os jogos, muitos conceitos importantes podem ser passados aos filhos tais como, respeitar as normas do jogo , que são conceitos que serão também usados socialmente. Por exemplo : saber conviver com a perda,com a frustração, não trapacear, não abandonar o jogo porque perdeu, etc. É preciso apenas ter uma pequena dose de paciência e um pouquinho de tempo, mas podemos garantir que os resultados serão compensadores. Na vida adulta, um filho com certeza esquecerá da bronca que os pais lhe deram um dia , mas jamais esquecerão dos momentos felizes das brincadeiras que o papai e a mamãe realizaram com ele. Por acaso você ainda guarda uma destas lembranças?