quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Adoção


A Adoção

                               Jadete Calisto – Psicoterapeuta de Casais e Famílias

Segundo o Novo Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa,  a palavra adotar, tem o significado de escolher voluntariamente,  aceitar, tomar, assumir,  receber como filho.
 Entretanto a palavra adotar  é mais ampla.  D’Andrea (2012), salienta que “O ato de adotar uma criança significa criar uma continuidade entre passado e presente, integrar as histórias do passado da criança com as do presente, aceitar essa maneira diferente de construir uma família. “
Ao serem adotadas, as crianças,  sentem medo  de não serem aceitas na sua legitimidade, com suas histórias de vida, seu sofrimento, seu nome, a cor de sua pele, seu cabelo, seu jeito de ser, etc.
 Além disto, quando a historia de vida pregressa não é levada em conta, não é falada, elas sentem  como se uma parte de si não fora  aceita ou que uma parte de si está  morta.
Quando as crianças ou os adolescentes vão para os abrigos, ao deixarem suas famílias de origem, ficam confusas,  não sabendo o que aconteceu, se irão voltar para casa ou não, geralmente este fato acontece com um corte abrupto de vínculos familiares.
Muitas vezes a única coisa que sobrou, foram as lembranças da casa onde elas viveram e que continuam  presentes dentro delas.
Se estas crianças ou adolescentes tiveram momentos de tristeza em suas famílias de origem, possivelmente tiveram também tempo de alegrias e cumplicidade com estes pais e irmãos. E o que aconteceu, onde ficaram todas as pessoas com as quais conviveram, sua casa, seus pertences, a escola, professores, colegas de escola, sua rotina, a comida que a mãe fazia e tudo o que fez parte da vida da crianças até então? 
Quando estão em abrigos e são adotadas, acontece o mesmo processo, porque possivelmente fizeram vínculos com outras crianças e ou adolescentes dentro do abrigo e também com alguns funcionários.

As rupturas de vínculos tanto da família de origem, quanto quando saem do abrigo, provocam um sofrimento muito grande  para a criança  ou para o adolescente institucionalizado pois normalmente estes cortes são abruptos.
 Quando são adotadas,os vínculos demoram um tempo para serem estabelecidos é preciso que os pais adotivos tenham muita  paciência, porque a criança ou o adolescente precisa confiar e ter a certeza de que será aceita, compreendida  e não será novamente abandonada.
Outro ponto é a que a criança institucionalizada perdeu a referencia de ser filho e pertencer a uma família. Não sabe qual o seu lugar na hierarquia da família. Na maior parte de sua vida ela precisou defender-se sozinha, não tinha ninguém por ela,  então, muitas vezes criam uma hiper defesa, isto é, respondem de forma agressiva quando sente-se ameaçada.
Aprender a ser filho, aprender a obedecer a uma hierarquia na família, aprender a receber cuidados, aprender a receber afeto,  aprender a pertencer a uma família e a formar novos vínculos é algo que demora  um tempo, não é do dia para a noite, pois são crianças ou adolescentes que via de regra perderam a confiança nos adultos que “cuidaram” dela até então.
 Outro ponto é que muitas crianças acolhidas, apesar de precisar intensamente de contato físico, sentem muita dificuldade em aceitar um abraço um beijo, um afago, porque não sabem muitas vezes  o significado destes atos, não sabem diferenciar entre carinho seguro e agressão.
Quando as famílias que adotam não compreendem estes aspectos e não levam em conta estas questões e as referencias entre passado e presente, as adoções não se realizam de forma satisfatória e inconscientemente ou não, as crianças não se sentem compreendidas, e esta pode ser uma das causas das relações começarem a se complicar.
 Por este motivo, D’Andrea salienta a importância da continuidade da historia entre passado e presente. 
Os pais adotivos devem estar atentos e se comprometer a manter viva a memória da historia de vida passada da criança que faz parte da identidade da mesma.
Os pais adotivos devem conversar com ela sobre sua história de vida, tudo o que aconteceu; contudo é preciso saber a hora de conversar, o que conversar e como conversar, não é preciso ter pressa , é importante esperar o tempo da criança...
Assim como a criança tem uma historia, a família que adota tem a sua história também, portanto é preciso que os pais adotivos, com o tempo, contem para a criança sua historia de vida, suas tristezas pela infertilidade e o quanto estavam esperando por ela.
Filhos adotivos ou biológicos tem uma história que antecede o seu nascimento. Faz parte do desenvolvimento psicológico da criança se perguntar sobre sua origem. Como eu vim ao mundo? Será que sou adotada? Será que faço parte mesmo desta família? Será que os meus pais me amam? Estas são perguntas que permeiam os pensamentos de qualquer criança. Na cabecinha de toda  criança acolhida está sempre presente a  questão: - “porque meus pais me abandonaram,eles não gostavam de mim?”
 Vale a pena salientar, que o processo de adoção, exige grandes mudanças e aprendizado, tanto da família quanto da criança e é vivido por momentos de  alegria, mas  também envolve  sofrimento de ambas as partes, pois é permeado de dúvidas, angústias,  ansiedade entre outros sentimentos.
Adotar não compreende apenas aumentar o tamanho da casa, arrumar o espaço físico. Adotar vai muito além disso, compreende o espaço emocional de quem adota, bem como da família extensa, pois muitas vezes a família extensa, ama ou aceita,  apenas seu semelhante, aquele que tem o seu sangue, seu sobrenome ou que tem traços fisionômicos parecidos com o da família.
O ato de adotar é semelhante ao namoro, na verdade é um encontro de almas, é o encontro dos olhares,  é sentir que é bom estar ao lado , é sentir o desejo de compartilhar a vida com esta pessoa .    
  

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fatores que implicam  na formação de vínculos afetivos.
                                         Jadete Calisto
“O fracasso do desenvolvimento da personalidade nas crianças que sofrem privação é, talvez, mais bem compreendido quando se considera que é a mãe que, nos primeiros anos de vida da criança, funciona como sua personalidade e consciência. A criança em instituição, nunca teve esta experiência e, desta forma, não pode nunca completar a primeira fase do desenvolvimento- estabelecer uma relação com uma figura materna claramente definida”. John Bowlby
 Um dos graves problemas que encontramos em  crianças e adolescentes acolhidos, é a questão do estabelecimento de vínculos afetivos.
O que se percebe é a grande desconfiança dos mesmos nas relações afetivas, pelo medo do abandono.
Na verdade, em matéria de abandono eles são conhecedores, o fato de estarem acolhidos já concretiza o abandono.
Os vínculos afetivos são formados no início da vida e a mãe biológica ou a substituta, são  figuras de referencia na formação dos mesmos.
Quando as  figuras parentais, não foram capazes de estabelecer vínculos de afeto com o bebê, este sentirá futuramente muitas dificuldades de entendimento da vida, e para relacionar-se com outras pessoas.
O afeto é o elemento essencial na formação dos vínculos.
 Metaforicamente, podemos pensar numa semente que não pode germinar sem o solo apropriado. O mesmo podemos pensar no ser humano, o bebê  espera pelo afeto e não encontra; o vínculo não se estabelece, o bebê se perde se desorganiza e  muitas vezes adoece.
Outras vezes existe o “solo”, contudo este não possui os nutrientes  necessários para que a semente se desenvolva. A planta então mingua...
Quando o bebe não encontra o afeto que necessita, ele se perde, como aquela planta que mingua, quando não encontra um solo fértil.
“ Da mesma forma, a mãe, por sua simples presença e ternura , pode agir como “ organizador” da mente de uma criança, ainda nos estágios muito pouco desenvolvidos de crescimentos inicial”. John Bowlby
Afeto implica em proteção, a criança que não foi protegida, amada, seja pela mãe biológica, ou por outras figuras, acaba criando uma hiper defesa, então, não sente medo, não respeita limites ou normas sociais, reage de forma agressiva aos contatos sociais.
Ela aprendeu a defender-se sozinha, não tem ninguém por ela, apresenta  frieza de sentimentos; este é o primeiro passo para o desenvolvimento das sociopatias.
A grande dificuldade de se trabalhar em abrigos é saber  como lidar com crianças e adolescentes que tem tanta desconfiança nas relações afetivas .
Para quem pretende trabalhar em abrigos, ou para quem pretende adotar uma criança, deve-se perguntar se entende da arte de fazer conquistas ou se  tem facilidade em construir  vínculos afetivos.
O grande desafio para quem trabalha em abrigo é saber como se aproximar e conquistar estes seres já tão machucados emocionalmente.
Geralmente tiveram formas de relacionamento agressivas, passando a relacionar-se desta mesma forma com funcionários, com outros acolhidos ou na escola que frequentam.   
O grande problema para quem trabalha com estas crianças, é saber como conquista´- las, como formar um vínculo com elas,  uma vez que  quem já foi muito ferido, também fere e faz o possível para proteger – se de outras exclusões.
O contato interpessoal é superficial, evitando vincular-se efetivamente, para não sofrer novos abandonos.
Estas crianças têm um desejo muito grande de serem amadas verdadeiramente, mas sentem muito medo de amar e de serem rejeitadas.
O que temos percebido é que eles testam o afeto o tempo todo, ao relaciona-se com o outro; a parte mais difícil de entender é isso.
 Inconscientemente testam para saber se serão aceitas inteiramente com sua parte boa e com sua parte ruim.
 No abrigo, elas acabam quebrando regras, para certificar - se de que as pessoas que trabalham com elas , as ama de verdade, inteiramente, incondicionalmente.
´E preciso que as pessoas que trabalham nesta área se perguntem se estão dispostas a enfrentar este desafio .
“Como amar um ser que está a todo instante testando limites?”  
Estas crianças reproduzem no ambiente as vivencias traumáticas que tiveram fora do ambiente institucional.
Elas buscam estabilidade do ambiente e uma atitude firme e confiável das pessoas que cuidam dela.
O comportamento agressivo que muitas vezes manifestam, não pode ter como resposta, mais agressividade  de quem cuida delas, isso só agravará o quadro que apresentam e irá repetir o trauma já sentido .
Para se trabalhar com estas crianças, precisamos de olhares mais compreensivos, mais complacentes e mais humanizados, sem isso, torna-se muito difícil o desenvolvimento do trabalho.
  O mesmo ocorre com as famílias pretendentes a adoção, que deverão estar muito bem preparadas para enfrentar este desafio.
  Por este motivo, as adoções não poderão ocorrer de forma precipitada, elas devem percorrer um longo caminho, e se fazer por etapas e com muita orientação por parte da equipe técnica do abrigo.
Para quem pretende adotar, é preciso pensar que este processo é semelhante ao “namoro”.

 Quando do primeiro encontro com a criança que pretende adotar, perceber, se ao olhar, sente empatia e não pena, se aceita o outro da forma como é, por inteiro, com suas virtudes e defeitos, se sente prazer em estar perto, se está preparado para tolerar muitas vezes a indiferença e se é capaz de estabelecer  limites. 




































sábado, 2 de agosto de 2014

Projeto Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Projeto Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
Este trabalho foi apresentado no segundo encontro sobre violência sexual  contra crianças e adolescentes.
Maio de 2014 no Centro Educacional  Fabio Taneno em  Mairiporã 

 Cartilha
                                                                                          Jadete Calisto 
Justificativa -
Este trabalho visa ajudar crianças e adolescentes a ter uma maior consciência em quem confiar e desta forma consigam desenvolver relações saudáveis com adultos que realmente as protejam e não as machuquem.

Voces conhecem a Lenda do Boto cor de rosa?
Pois para quem não conhece aqui vai:
Uiara como o chamam os índios, é o deus dos rios e protetor dos peixes, Uiara é o que chamamos de boto cor de rosa.
Os botos cor de rosa, tem uma particularidade: adoram festas. Principalmente festas  juninas: esperam cair a noite, saem da água, transforma-se me humanos, usam um chapéu para ocultar o rosto e passeiam nas cidades.
Quando chegam a alguma festa, em aldeias ribeirinhas, vão entrando lentamente, comportando-se de maneira tímida, quietinhos, envergonhados, sempre muito educados.
Ante do amanhecer, porém, eles tem que voltar para a água, pois o sol em boto outra vez.
Geralmente são bonitos e simpáticos, dançam muito bem. Como são namoradores, costumam levar as donzelas mais bonitas às margens do rio e as engravidam.
Quantas e quantas vezes as moças grávidas de pai desconhecido revelaram para seus pais e amigos que foram engravidadas pelo boto!
O que pretendemos desenvolver aqui hoje está diretamente ligado à lenda do boto.
Sabe-se que em comunidades ribeirinhas da Amazônia, é costume o pai iniciar sexualmente suas filhas menores.
 Trata-se de uma combinação de incesto e pedofilia e pode ensejar justificativas para a lenda do boto.
Herdada dos índios, a comunidade ribeirinha portanto civilizada, não só adota a lenda como também torna o ato transgressor, um costume. Esse livre de qualquer crítica ou punição. Mais do que isso, o que sabemos, pelos relatos, é que os pais de meninas entendem que têm poder sobre o corpo das filhas., deflorando-as.
Para encobrir tal ato, a comunidade ecoa frases que tornam-se populares e que justificam o ato e autorizam a onipotência : “ quem planta a bananeira, tem direito a comer o primeiro fruto.”
Não se trata apenas da ação desses pais, mas da comunidade como um todo que diante de tal prática cala-se e não reage
  Apossar-se do corpo das jovens, é um ato violento. A maneira de escamotear esse crime é a geração de lendas e expressões populares, usadas para esconder a verdadeira ação e intenção
Tanto a lenda do boto, como o dito popular, oferece a máscara para o ato violento e agressivo contra crianças, adolescentes e mulheres jovens.
Como ajudar a criança ou o adolescente  a denunciar  o abuso sexual.
Denunciar um abuso sexual  é muito difícil porque a criança ou o adolescente  via de regra  é ameaçado  pelo abusador a não falar sobre o ocorrido.
 Normalmente as crianças ou os adolescentes ficam preocupados em denunciar  porque acham que o abuso ocorreu por culpa deles e que eles poderão ficar numa situação difícil se alguém souber.
´E muito comum o abuso ocorrer dentro de casa e a criança ou o adolescente temer que se denunciar eles não mais poderão  viver na mesma   casa,  ou  que poderá ocorrer divorcio dos pais, ou que o abusador  poderá ir para a cadeia.
Os sentimentos de medo  e vergonha são poderosos no sentido de abafar o fato do abuso sofrido.
De forma geral as crianças e os adolescentes ficam confusos não sabendo como dizer ou o que dizer sobre o que aconteceu.
Em vista disso precisamos incentivá-las “ a contar”  e também ensiná-las “ a como contar.”
Para prevenir o abuso sexual devemos :
Ajudar a criança ou o adolescente a compreender que o maior risco de acontecer um abuso é normalmente  com pessoas que elas já conhecem
Quando uma criança ou um adolescente está sofrendo abuso, incentivá-la a comunicar o fato a pessoas confiáveis: pessoas da família ou  fora dela como por exemplo um professor.
A criança e o adolescente deve saber que seu corpo pertence só a eles e que apenas eles tem o direito de tocá-lo.
Crianças mais velhas, ou adolescentes ou adultos que tocam nas partes íntimas do corpo de uma criança , ou que pedem para estes que toquem suas partes íntimas, sabem que é errado e sentem medo de serem pegos, por esse motivo, tentam “enganar”  ameaçando-as   ou dando presentes  para que elas se calem.
Confie nos seus sentimentos que causam nojo 
Ao relacionar-se com uma pessoa mais velha, você está tendo sentimentos  desconfortáveis ,que causam nojo e medo , ou raiva, é um indício de que deva falar sobre  isso com um adulto de sua confiança.
 A melhor maneira de fazer parar um abuso sexual é contar para um adulto de sua confiança sobre isso. Este não é um problema que as crianças ou os adolescentes possam resolver por si próprios e precisam da ajuda de um adulto.
Quando uma criança denuncia ela não está apenas ajudando a si própria , mas
também a outras crianças.
 Os abusadores ou pedófilos  usam truques para pegar suas vítimas, às vezes demoram  algum tempo para conquista-las , vão fazendo isso gradualmente até conseguir ganhar sua “confiança”.
 Entre os truques usados incluem:
-  Falsa confiabilidade ( é o lobo vestido de cordeiro), fingem ser amigo do garoto (a) , a fim de ganhar a confiança deles;
-Eles testam os limites, fazendo piadinhas sensuais, ou elogios, massagem nas costas, fazem cócegas, jogos de strip ( tirar a roupa),etc.
- Toque-  do toque normal, não sensual, toque confortável , carinho propriamente dito, ao toque “acidental” nas partes íntimas, que acabam ocorrendo ao longo do tempo.
 - Diferença entre carinho seguro e abuso. Existe uma tênue diferença entre carinho  seguro e abuso sexual e muitas vezes é muito difícil para a criança ou para o adolescente saber  identificar .
- Compartilhando material sexual : aproveitando-se da curiosidade natural da criança ou do adolescente, os pedófilos mostram fotos, vídeos, mensagens de texto, sites de natureza sexual , etc

- Quebrando regras.Os abusadores incentivam as crianças ou os adolescentes a quebrar regras, dizendo que este ato é natural e assim estabelecem uma relação que tem um segredo para sua manutenção.  

   -Uso de drogas e álcool. Alguns  abusadores fazem uso de drogas ou álcool, tornando crianças ou adolescentes menos capazes de reagir contra o abuso.

-Intimidação e chantagem: os abusadores fazem com que as crianças ou adolescentes  sintam medo, vergonha ou culpa se comunicarem o fato a alguém., assim fazem uso da intimidação e da chantagem.

Como reconhecer um abusador ou pedófilo
Adultos que gostam de ficar sozinhos com crianças ou adolescentes .
São atenciosos e sedutores, gostam de fazer “amizade”  com crianças e adolescentes
Gostam de agradar presenteando crianças ou adolescentes
O pedófilo procura manter em casa decoração atraente às crianças. 
Sempre pedem para guardar segredo e nunca contar nada a ninguém sobre seus comportamentos 
Às vezes ameaçam a criança ou adolescente, caso não  cedam às suas vontades
Pedem para filmar ou tirar fotos de crianças ou adolescentes com pouca ou nenhuma roupa, pedindo para fazer poses sensuais

Perigos na Internet
Internet é um meio de comunicação importantíssimo para termos acesso ao mundo, podemos fazer pesquisa e tudo o que quisermos saber. Mas cuidado, tanto podemos ter acesso a coisas boas como a coisas muito prejudiciais.
O pedófilo pode ser alguém muito próximo à criança ou adolescente, como um familiar, um conhecido, um amigo da família, um vizinho, ou um desconhecido que se aproxima  através da Internet, nas salas de bate papo, passando- se por uma criança ou adolescente.
Os adultos que cuidam da criança ou do adolescentes devem estar atentos para ver que sites estão acessando e com quem estão conversando, delimitando também o tempo de uso da Internet
Há crianças e adolescentes que passam a noite toda acordados nesta atividade.
Os adultos devem orientar crianças e adolescentes a não colocarem endereços, telefones ou fotos na Internet, principalmente com pouca roupa.
Pornografia infantil
É a utilização de imagens em vídeo, ou fotos de crianças ou adolescentes com pouca ou nenhuma roupa, em poses sensuais, cenas de sexo, ou partes do corpo como genitais, para fins comerciais.
A pornografia infantil, alimenta os “clubes de Pedofilia”, que servem para “ associar” pedófilos pelo mundo, onde estes podem comprar  fotos ou vídeos contendo pornografia infantil.

 Consequências emocionais do abuso sexual
O professor ou a família pode reconhecer facilmente alguns comportamentos da criança ou adolescente  que foi abusada:
Apatia, ansiedade, depressão, transtorno do sono como  pesadelos  insônia, timidez, agressividade, masturbação excessiva, risco de suicídio, perda de apetite, comportamento autodestrutivo, aversão ao contato físico, baixo rendimento escolar, isolamento, medo, baixa autoestima, falta de perspectivas no futuro,  comportamento sexual inapropriado  para a idade, como atitudes sedutoras em relação aos adultos, promiscuidade, prostituição, hiperatividade, desconfiança nos adultos, fuga de casa, mentiras, roubo, ausência escolar.
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Consequências físicas do abuso sexual
Doenças sexualmente transmissíveis, corrimento genital, ferimento genital ou anal, gestação, aborto inseguro e gravidez precoce
ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR E À FAMILIA DE COMO ABORDAR ESTES ASSUNTOS COM AS CRIANÇAS OU ADOLESCENTES

Antes dos pais e professores usarem esta cartilha devem ser orientados por um psicólogo

O que vocês pensam quando vêm ou sabem de alguém que está diante de uma situação de violência sexual  :

         A  -  Será que eu me meto?
         B -   Alguém vai acreditar em mim?
         C – Será  que isso é violência?
          D – Mas isso não é comigo...
          F – Com quem eu devo comentar o que vi?
          E – Sinto medo de não acreditarem em mim...
          G – Não sei o que fazer...
          H – Sinto medo de me envolver e sobrar pra mim
I  - Se eu sei que alguém está sofrendo violência devo falar com alguém?
J – E se fosse comigo, o que eu faria?

 - Hum, eu estou pensando  num assunto delicado para falar com vocês...
Este assunto é realmente muito difícil, delicado e mesmo constrangedor,  porque trata da intimidade das pessoas, mas nós como adultos que queremos proteger as crianças e os adolescentes, precisamos e devemos falar sobre isso.
O professor pode solicitar que os alunos preencham  esse questionário e coloquem  em uma urna  , sem precisar se identificar . Leiam e respondam sim ou não. Ou se concordam ou não. 
Ao final do trabalho, caso algum aluno queira conversar sobre algum problema nesse sentido deve procurar um professor  que esteja preparado para ouvir e fazer  isso isoladamente , fora da sala de aula,  sem a presença dos outros alunos.  ( Por este motivo pais e professores devem ser orientados, para que saibam fazer o acolhimento dessa criança ou adolescente )
-O que você deve fazer se uma criança mais velha, um adolescente ou um adulto  tocar as partes íntimas do seu corpo ? Responda ou circule:  sim ou não
- Você tenta detê-lo? Sim ou não?
- E se ele pede para que você toque as partes íntimas dele ,?Sim ou Não ?
- Se o abusador pede para você não contar? Sim ou não ?
- E se ele faz você prometer que não vai contar? Sim ou não ?
-Ele dá dinheiro ou presente para que você não conte ? Sim ou não?
- Ele diz que é um segredo especial entre vocês dois ? Sim ou não?
- Ele diz que você não vai mais poder viver na sua casa se você  contar para alguém? Sim ou não?
- Diz que todas as crianças fazem isso, mas nenhuma delas conta para outras pessoas ? Sim ou não?
- Você soube que aconteceu com um amigo  e não contou para ninguém? Sim ou não?
- É culpa do garoto ou (a)     se um adulto tocou as partes íntimas do seu corpo? Sim ou não ?
- É culpa do garoto ou (a) se um adulto fez tocar em suas partes íntimas? Sim ou não?
- O garoto ou (a) deveria  sair outras vezes com a pessoa que o tocou? Sim ou não?
- O garoto deveria ir novamente ao lugar onde o toque aconteceu? Sim ou não?
- Adulto pode pegar na mão de uma criança para ajuda-la a travessar a rua . Sim ou não ?
- Adulto   pode se esfregar nas  pernas de uma criança ? Sim ou não?
- Adulto pode beijar no rosto ? Sim ou não?
- Adulto, por a criança no colo em segredo. Sim ou não?
- Adulto acariciar o rosto de uma criança? Sim ou não?
- Adulto beijar na boca de criança ou adolescente? Sim ou não?
- Um médico pode examinar  uma criança quando esta apresenta um problema nas partes íntimas apenas  na presença do pai ou da mãe.Sim ou Não?
 Um pai ou uma mãe pode examinar as partes íntimas de seu filho, se estiver com um problema de saúde nesta região, desde que não peçam para ter  um segredo sobre isso? Sim ou não?
Jadete pergunta às pessoas que estão na frente 
De que forma  você poderia comunicar um abuso a alguém de sua confiança-  Deixe que as crianças ou adolescentes  pensem de que forma fariam isso. ( dar um tempo para que eles pensem)
Voces podem falar ou escrever ou usar os bonecos
1-    Você também pode fazer um desenho sobre o que aconteceu.
2-    Escreva uma frase ao adulto de sua confiança: “ Eu preciso falar ou eu  preciso de ajuda”
3-    Você também pode escrever uma história do que aconteceu e dar a um adulto de sua confiança
4-    Se não puder falar ou escrever, pode também usar uma boneca ou um ursinho de pelúcia para demonstrar o que aconteceu ao adulto de sua confiança.
Lembrando os professores e as famílias:
Quando a criança ou o adolescente consegue contar o que aconteceu  a uma pessoa de confiança, passa a sentir um alívio muito grande , sua ansiedade diminui, bem como seus temores.
Quando  a criança ou o adolescente passa por essas situações e não tem o  apoio de uma  pessoa de confiança  e também  não tem uma boa estrutura de personalidade, aliado a uma família disfuncional, podem seguir o caminho da prostituição e ou das drogas. Tornam-se adultos inseguros, que não confiam nos contatos sociais.    
A criança ou o adolescente que  sofreu abuso  teve o  desenvolvimento da sua sexualidade ficou estagnado, então, na vida adulta, apresentam problemas nos relacionamentos sexuais e  alguns ainda, podem repetir seu trauma com outras crianças ou adolescentes .
Orientação à família :
- Converse com seu filho e recomende  que ele:
- Nunca fale com estranhos, mesmo se a pessoa o chamar pelo nome
- Não aceite caronas, presentes, comida dinheiro ou convite de pessoas estranhas.
- Memorize  o endereço e o telefone dos pais ( se seu filho tiver uma deficiência que impossibilite a sua comunicação, faça um cartão com estes dados).
- Ande sempre acompanhado na rua ou em lugares públicos ( ida e volta da escola , por exemplo )
Evite entrar sozinho em banheiros públicos     .
 Espere sempre no local combinado ou  avise se  tiver que mudar por alguma razão.
- Ande sempre com documentos .
- Peça e avise com antecedência se precisar ficar até mais tarde na escola ou ir à casa de um amigo, ou a outro lugar qualquer.
- Se for abordado ou seguido por alguém de carro numa rua, comece a andar em direção oposta do carro ou entre numa loja , escola ou outro lugar seguro e conte a um adulto o que está acontecendo.
-Procure um adulto ao perceber alguém rondando a casa e grave a aparência da pessoa para descrevê-la à polícia , se for necessário.
 -Nunca fique sozinho quando estiver esperando alguém busca-lo.
-Ao criar perfis na internet  ou usar redes sociais , não passe informações pessoais, não coloque endereços, ou telefones seus nem da família e nunca, mas nunca mesmo marque encontro com desconhecidos.          
-- Nunca tire os olhos de seu filho pequeno em locais de grande movimento
 - Ao chegar em um evento, mostre ao seu filho quem são as pessoas que fazem a segurança ( policiais , os vigias, ou os seguranças). Combine ponto de encontro no caso de vocês se perderem .
 Faça questão de levar e buscar seus filhos em festinhas e outros programas. Dá um pouco de trabalho, mas vale a tranquilidade.
 Oriente a escola no caso de algum estranho aparecer para pegar seu filho, que jamais o libere sem que você autorize.

  

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SEU FILHO ADOLESCENTE

Entender e aceitá-los como pessoas diferenciadas, por vezes completamente diferentes de nós em suas escolhas afetivas, profissionais, pessoais, ideológicas, este é o verdadeiro desafio dos pais: perceber seus filhos como seres humanos  únicos, que independem de você para muitas coisas que antes necessitavam e  que, a cada dia, precisarão menos. Encarar essa realidade e descobrir nessa caminhada uma nova fonte de realização é, para muitos pais, extremamente doloroso “. ( O adolescente por ele mesmo – Tânia Zaguri )
A grande maioria dos pais de adolescentes, fica perplexa sem saber como lidar  com essa nova fase de vida dos filhos. O adolescente coloca em   dúvida os preconceitos e valores até então estabelecidos como corretos pela família. Quanto mais rígida a educação, maior também será a atitude  de  oposição e maiores serão os questionamentos; contudo, questionamentos  fazem parte do amadurecimento.
Essa é a fase de conflito para o adolescente porque ao mesmo tempo que têm atitudes de oposição aos pais, ele também necessita de alguém  que lhe mostre o caminho.
 Há momentos em que reivindicam e questionam como adultos, outras vezes comportam- se como verdadeiros bebês!
É também extremamente  difícil e porquê não dizer angustiante  para os pais lidarem  com essa mudança de comportamento dos filhos.
A grande questão, está em  permitir que o filho questione, que ele possa fazer suas escolhas, porém sem deixa-lo totalmente sem limites, como um barco à deriva.
A base da relação, é tentar entremear essas duas formas de agir,  aliado ao afeto, limite e respeito  mútuos.
Grande parte das vezes os pais projetam  seus próprios sonhos nos filhos; sonhos não realizados na sua adolescência, e quando isso não acontece, vivenciam frustrações e angústias.
É necessário considerar que o filho é uma outra pessoa que tem outros sonhos e aspirações diferentes daquelas  de seus pais. Saber ouvir, trocar ideias, estar aberto ao diálogo, informar, não ser omisso nas suas questões sejam  elas quais forem, aceita-los na sua forma de ser é uma boa saída.
Ao invés da velha frase “ mas no meu tempo, as coisas eram diferentes”, mais sadio será mostrar uma diretriz ao filho, através do exemplo e da atitude  como pessoa.
Outra forma interessante é pesquisar  e conversar com os filhos sobre seus antepassados, sobre as histórias da família de origem  tanto paterna como materna; falar como as pessoas eram , seus sucessos e insucessos como pessoas e como profissionais que foram.
Também não devemos nos esquecer  que os filhos estão sempre atentos e vigilantes , observando as atitudes e comportamentos dos pais, é correto então dizer que vale mais um bom exemplo do que muitas palavras.
As figuras paternas irão ao longo da vida dos filhos servir de modelo, e se o vínculo afetivo entre eles for bom, via de regra irão guiar-se por aí. Contudo, na falta dos pais, poderão guiar-se  por algum ente querido, ou um professor ou mesmo um amigo.
Se o jovem   não puder encontrar estes modelos dentro de casa, irão com certeza  procura-los na rua seguindo modelos de líderes que admiram.
Na busca desenfreada pelo sustento, fica cada vez mais difícil ter um tempo para o filho, pois os pais saem de casa pela manhã e só retornam à noite, e a maior parte das vezes sentindo-se extremamente culpados pela ausência.
Conscientes ou não, esta culpa, pode tornar os pais altamente permissivos, com muita dificuldade em dizer “não”, tão importante  em determinados momentos.
Uma pesquisa realizada, para se saber sobre o uso de drogas na adolescência, comprovou que jovens que têm uma boa estrutura de personalidade, e uma família bem constituída, pais que dão limites aos filhos, que compartilham efetivamente da vida dos filhos, que fazem coisas alegres juntos, pais que participam  de esportes com os filhos, que estão realmente presentes nos momentos alegres e tristes, dificilmente entraram para o caminho das drogas.
É extremamente difícil ser pai ou mãe, e ninguém tem uma receita  para tal missão, mas uma coisa é certa, é preciso estar em sintonia com o filho, entender sua linguagem, não fechar o canal de comunicação que existe entre ambos  e passar a segurança de que o filho pode confiar neles – pais-

A relação entre pais e filhos, oportuniza uma valiosa troca de experiência onde todos estão sempre aprendendo: “ os filhos aprendem com os pais o caminho da vida, todavia os pais estão continuamente aprendendo com os filhos a serem pais”.   

sábado, 30 de novembro de 2013

COMO PROTEGER NOSSO TESOURO INTERIOR

Durante muitos anos atendendo em clínica de psicologia, arrumei um jeito informal e de fácil entendimento de falar  sobre como proteger nossa integridade emocional.
 Tenho frequentemente conversado com os pacientes sobre um tesouro que temos guardado dentro de nós e que precisamos proteger. 
Peço que imaginem então como se existisse  dentro de nós, uma mandala, onde no centro, está o tesouro  no qual guardamos nossa vida, nossa essência, nossa intimidade, enfim nossas preciosidades.
  • Este tesouro  é rodeado por sentinelas  que  o protegem e ao redor das sentinelas existem  bijuterias, coisas sem valor.
    Quando estamos bem emocionalmente, isto é, mais tranquilos, menos angustiados, este tesouro é  protegido pelas sentinelas, que funcionam harmoniosamente, como guardiãs fiéis, não permitindo que “ladrões” venham “assaltar” nossa intimidade.
    Assim,  estas sentinelas, como referi, estão sempre atentas e elas abrem o tesouro apenas para pessoas com as quais tem  um forte vinculo, com a certeza de que estas saberão cuidar das preciosidades nele contidas.  Este  pode  ser  um verdadeiro amigo ou uma pessoa de extrema confiança.
     Existem duas situações onde as sentinelas estão em descontrole : na depressão ou na euforia, sendo que  no transtorno afetivo, estas situações se alternam, deixando o paciente muito confuso,  inseguro e com medo.
    Na depressão as sentinelas estão hiper vigilantes, e na euforia  elas estão em repouso ou anestesiadas.
    Quando as sentinelas estão hiper vigilantes, o paciente não consegue  comunicar seu  sofrimento, fica  travado, angustiado, com medo, preferindo o silêncio e o isolamento, então as sentinelas não permitem que ninguém chegue perto. A pessoa está em extremo sofrimento e impossibilitada de pedir ajuda ( o tesouro está trancado a sete chaves).
    Ao contrário, quando as sentinelas estão em repouso, isto é ,na euforia, o que temos observado é que as sentinelas  não cuidam do tesouro e a porta deste está sempre aberta, permitindo que qualquer um faça o que  quiser  com todas as preciosidades ali contidas.
    Desta forma, acredita que alguém vai dar uma solução mágica para o seu problema. .
    Assim, a vida torna-se estilhaçada, como pedaços de espelho quebrado. Cada pedaço para um lado, é como se cada um   que ouviu a história,  levasse consigo um pedaço da vida  da  pessoa  que a contou.
    O que acontece quando as sentinelas estão em repouso ?  Elas não estão cuidando   da  porta do tesouro. Qualquer um que chega,  encontrando o tesouro aberto, leva as jóias mais preciosas, isto é, partes preciosas da vida, como por exemplo  um segredo. Num primeiro momento, quando  comunicam sua intimidade, seus segredos, isso para qualquer pessoa , seja: um vizinho, a empregada, o motorista de táxi, o jardineiro, a manicure, etc, têm a sensação enorme de alívio. Acham que encontraram uma solução para o problema. Porém, depois que a pessoa virou as costas, passados alguns instantes,  aparece um medo extremo de perder o controle, o contato com a realidade.
    Então quem contou o segredo, torna-se refém de quem ouviu, em consequência,  sente que  não pode romper a amizade com este , pois precisa estar ligado como que precisando cuidar de sua parte que agora está com o outro.
    A mandala que na saúde estava bem organizada, na doença acaba se  desconfigurando.
    Quando se começa um processo terapêutico, a primeira coisa que temos observado é que o paciente pára de falar da vida fora da sessão e guarda os acontecimentos para falar na terapia, começa a cuidar de sua mandala , protegendo seu tesouro.
    Quanto mais o processo avança, menos  as sentinelas  abrem o tesouro para qualquer  pessoa, ocorrendo assim que fora da sessão, os “ladrões” possam carregar apenas as bijuterias, coisas sem importância.
     Para que o terapeuta possa olhar dentro do baú de preciosidades, é necessário que se estabeleça um vínculo  de confiança com  o paciente . Então este vai devagar, com habilidade, respeito atuando através deste vínculo, abrindo a tampa do tesouro  iluminando  e analisando cada detalhe da mandala, junto com o paciente .Com o andamento do processo terapêutico, o paciente vai aos poucos, resgatando suas preciosidades muitas vezes abandonadas, esquecidas ou perdidas pelo caminho da vida, e assim recompondo a formatação original de sua mandala interior.
    Logo no início, o terapeuta começa a perceber uma diminuição da ansiedade do paciente, porque este  sente que suas jóias estão sendo recuperadas e protegidas e  aos poucos sentindo-se mais desperto de sua cegueira emocional, enfim sentindo- se mais seguro podendo cuidar de sua vida.